sábado, outubro 06, 2007


Estes senhores estão a partir o coco a rir neste preciso momento, num Universo paralelo a este, sentados na plateia dos acontecimentos de uma vida paralela a esta.

O Medo #2


Existe também a possibilidade de poder maquilhar as palavras por forma a deixar sair coisas íntimas sem parecer que o são. Mas o propósito da intimidade não é a evidência dela própria, a existência para que os outros tenham consciência da sua própria esfera profunda?
Tenho medo da intimidade.Tenho medo da minha esfera mais profunda. Tenho medo de espelhar o meu poço sem fundo.
(E assim começo a escrever coisas que não têm rosto mas uma alma grande. A condição que partilho com os demais. A minha vulnerabilidade engrandecida com algumas palavras que juntas formam bonitas paisagens e um fausto silêncio.)




Banda sonora: M83
Álbum: Before The Dawn Heals Us
Música: I guess i´m floating/ Teen Angst

O Medo #1


A noção de segredo ainda se torna mais estranha quando decidimos dar a cara através de um meio em que as feições são substituídas por palavras. Decidi deixar cair o véu que separa este blog de mim próprio. Mas logo se acende uma grande dúvida. O que dizer de relevante sem ser acompanhado por uma expressão facial? Talvez possa pôr entre comas uma descrição o mais exacta possível dos estados de espírito que me vão atravessando à medida que a palavra sai dolorosa de dentro de mim. Escrever sobre coisas pessoais e íntimas para uma plateia é complicado, mais dificil ainda que participar numa peça de teatro e encarnar um personagem qualquer. Ao escrever temos tempo de reflectir e de ponderar sobre que letras e paisagens queremos desenhar. E temos tempo mais do que suficiente para nos defendermos. É um dilema. Este blog deixou de ter medo, mas o seu autor ainda não.

terça-feira, outubro 02, 2007

Necessidades


A maior parte do mundo está presa às necessidades mais básicas. Quando se tem fome todo o comportamento é dirigido no sentido de se alimentar essa necessidade. Metade do mundo não tem motivação para perseguir objectivos mais elevados. E enquanto as coisas forem mantidas assim, o poder será dividido sempre pelos mesmos.




Imagem: Pirâmide de necessidades de Maslow

segunda-feira, outubro 01, 2007

Datarock -Bulldozer

Hoje ouvi esta música várias vezes...merece ser eternizada como as palavras que aqui jazem..

Sobre este Blog #2



Este blog esconde-se mais à medida que o tempo vai passando. Este blog protege-se à semelhança das vestes que os dedos que o tecem usam. Este blog não quer ser visto, é miope, apesar de não saber exactamente o que isso quer dizer. Este blog está em reestruturação porque sabe que este caminho é só sombra. Este blog precisa de não ter medo de revelar o artista e de esconder a arte. Este blog vai brevemente passar para o outro lado, aquele que tem vista privilegiada para quem o escreve. Este blog acabou de perder o medo.

Outubro


Oficialmente, Outubro aparece sempre como um auxiliar de mudança de página. E é assim que deve ser encarado, porque a partir de agora os dias equivalem-se às noites e a decomposição da terra prepara-se para mergulhar no seu âmago. Outubro é assim, o hall de entrada para Novembro, o mês em que as transformações são por demais evidentes.



Imagem: Salvador Dali (1904-1989)

quinta-feira, setembro 27, 2007

Contra factos...


Fico surpreendido pela quantidade de pessoas que opinam ser fundamentarem devidamente as suas opiniões. Falam com propriedade de coisas que ouvem em segunda mão e não se preocupam se estão a falar com base em factos ou em argumentos falaciosos. Contra factos não há argumentos, e as opiniões deviam destapar o véu da subjectividade com base, sempre que possivel, em factos. Quando isto não acontece entramos em terrenos pantanosos, o universo dos lideres de opinião que, por terem um lugar de destaque, levam as pessoas a confundir as suas opiniões com a verdade. É preciso ter cuidado com o que se diz, mesmo que seja o mais inocente possivel.



Imagem: René Magritte (1898-1967)

terça-feira, setembro 25, 2007

Moinhos de vento


D.Quixote tinha por inimigos moinhos de vento. Nós temos por inimigos aqueles que não nos compreendem ou que não compreendemos. Nós somos Quixotes. Temos por inimigos moinhos de vento que só nós conseguimos ver.

segunda-feira, setembro 24, 2007



A vida que acaba antes de começar.

domingo, setembro 23, 2007

Passado


A única forma de resgatar o passado é fotografá-lo, seja a tinta, a papel ou a película. Documentar.



Imagem: Citroen DS, o "boca de sapo"

Futuro


A única maneira de antecipar o futuro é desenhá-lo.



Imagem: Concept car urbano da Peugeot

sábado, setembro 22, 2007



É um conforto saber que ainda existem e resistem algumas pessoas honestas neste mundo, que encontram carteiras com 400 euros e devolvem-nas, sem sequer espreitar o seu conteúdo, ou mesmo espreitando, conseguem resistir à tentação e ser altruístas. Uma verdadeira lição de civismo. Um exemplo taxativo de que o mundo afinal ainda comporta uma parcela de mudança importante, que se vislumbra nestes pequenos gestos com grande significado. A todos estes anónimos...Bem-Haja.



Imagem: Enki Bilal


Ontem fui ao Kubik...e adivinhem...desilusão.
Muito fraquinho, tanto o espaço como a noite.
Ás vezes tenho a sensação que andam a brincar connosco.
10 euros secos. Exploração máxima.
Periférico. Nada fresco, nada estimulante. Pobre. Podre.
Precisamos de muito melhor.
Só o rio é que continua a valer a pena, esse nunca desilude. Nem os despertares alaranjados por cima dele.

sexta-feira, setembro 21, 2007


Existem frases que são maiores do quem as escreve, como se traduzissem em letras todo o propósito de uma vida terrestre, como se aquele arranjo e combinação de letras em palavras e de palavras em frases fosse uma sublime obra de arte, com a qual toda a humanidade se pode relacionar, precisamente por estar resumida nelas. Encontrei várias, mas uma fez imediatamente sentido, não só por ser um provérbio e desde logo estar inscrito no nosso inconsciente colecivo, encontrando correspondência em todas as culturas, mas também porque a sua simplicidade rasgou um sorriso na minha face. Aliás, foram três, uma fez-me mesmo rir e a outra atirou-me ao tapete:


"É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão" - Provérbio Chinês

Este fez-me sorrir.



"Um homem nunca está liquidado até ser enforcado" - William Shakespeare

Esta frase fez-me rir...


"No final não nos lembramos das palavras dos nossos inimigos, mas sim do silêncio dos nossos amigos" - Martin Luther King

Esta deixou-me pensativo. Muito forte.

quinta-feira, setembro 20, 2007



Sempre ouvi dizer que uma coisa quando está no seu apogeu transforma-se em outra.
Segundo o Tao, quando o Yin atinge o seu apogeu transforma-se em Yang e vice versa. Quer isto dizer que quando atingir o máximo da profundidade de sentimentos e de introspecção atingo a iluminação subjacente a Yang? E a overdose? Será apogeu? E o egoísmo? será apogeu? Neste sentido se a humanidade continuar neste caminho de destruição não terá outra alternativa senão parar e mudar de estado de consciência. Espero que isto seja mesmo verdade, tanto em termos individuais como colectivos. E, acima de tudo, lá no fundo, segundo o Tao, eu sei que isto é verdade, porque eu próprio já sou transformação, movimento e potencial.


" (..) procuro então por ti, revigorado que estou
depois de mais uma vaga de pensamentos paraquedistas;
folheio o teu cabelo que esvoaça nas abobadas mais altas da minha memória
e esgueiro-me a coberto do silêncio, preso às patas de uma pomba treinada
para se fazer anunciar suavemente, na esperança de a tua janela estar ainda em aberto…"




Texto: Excerto de "Desencontros 2" de Paulo Dias
Pintura: Egon Schiele ( 1890-1918 )

A vontade que eu tenho de transformar estes pés numa estória que seja digna de alguém que corre por gosto e mesmo assim não se cansa, nem sequer discute. Como eu gostaria às vezes de ter pés lisos e espalmados, sem mais nenhuma função do que caminhar. Como gostaria eu de os envolver em preces e devotá-los a uma causa religiosa qualquer, sem congregações de fiéis dissonantes nem cãnticos arautos de dias que se já se avizinham no horizonte. Como eu gostaria que os meus pés fossem só meus e não estivessem presos a essa panela de indecisões que convencionámos chamar de cérebro.
Como eu gostava de olhar para esta imagem e ver imediatamente qualquer outra coisa para além dos pés que lá estão. Como eu gostaria de me chamar de abstracção...Como eu gostaria que os meus pés se emoldurassem a eles próprios e viajassem pelo mundo dos museus atrelados a mim.

quarta-feira, setembro 19, 2007


E se encontrasses uns sapatos destes, o que achas que teria acontecido à Cinderela?

Se encontrasses um sapato destes, será que te darias ao trabalho de procurar o pé correspondente?

A indepedência consiste num estrada bifurcada que assusta, precisamente porque é a confirmação primordial que estamos aqui por nossa conta e risco, e que apesar de estarmos rodeados de pessoas que gostam de nós e nos nutrem, tudo o que passamos e sentimos é incomunicável. A independência comporta um factor de solidão germinante. A independência não é o mesmo que maturidade, é apenas o seu primeiro desajeitado passo. É a inevitabilidade com um andar apressado. Como o fundo de um copo de absinto, verde como a sua própria mitologia.

terça-feira, setembro 18, 2007


Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra e seu arbusto de sangue.
Com ela encantarei a noite. Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher. Seus ombros beijarei, a pedra pequena do sorriso de um momento. Mulher quase incriada, mas com a gravidade de dois seios, com o peso lúbrico e triste da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente
cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo
arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.



Texto: Herberto Hélder


Para descansar o olhar escolho duas das mulheres mais belas que habitam este planeta. Antevê-se a existência de Deus por trás do sopro silencioso da beleza de cada uma delas. Para apreciar a arte enquanto corpo. A volúpia pode e deve ser um dom.


Imagem: Monica Bellucci e Scarlet Johansson

segunda-feira, setembro 17, 2007


Um exemplo da estupidez que se apodera das pessoas que governam a cidade e só foi interrompida porque nos mexemos a tempo de o impedir. Mas, à semelhança destas aberrações, existem outras aberrações junior que proliferam pela cidade. O que quero dizer com isto? Temos de estar atentos a todos os elevadores e bandeiras gigantes de Portugal que são usadas como mijadinhas fora do penico, estratégias de imortalidade de quem não se sente à vontade com a perspectiva mais do que plausivel de virem a ser eliminados pela erosão da história..


A zona do Marquês nos anos 90.


A zona do Marquês em 1930.

#3



Este entardecer pode ser a abertura que necessitamos para podermos mudar. Ir embora é fácil, ficar e lutar é díficil. O caminho do meio é trabalhar com pessoas que vêm de fora e não têm os vícios de inactividade que nós temos. O entardecer é o abandono do dia e o mergulho na noite. Neste preciso momento nada se define, mas estão lançadas as sementes para um novo dia.

#2



A culpa é nossa. Somos nós que esvaziamos a cidade do seu conteúdo, somos nós que votamos em seres ignóbeis para nos governar, somos nós que não votamos em ninguém e nos deixamos governar, somos nós que assistimos na plateia à destruição diária do nosso património, somos nós que nada fazemos quando vemos prédios centenários a serem demolidos pela ganância dos seus proprietários, somos nós que construímos a pequenez de todo um povo e de toda uma forma de pensar, somos nós que não merecemos a cidade que temos. Se calhar foi Lisboa que nos abandonou, e deixou apenas a sua carcaça para que possamos continuar iludidos. Ela está ali, do outro lado, à espera que deixemos de estar à espera e que entremos de uma vez por todas na era da responsabilidade individual.

Sobre Lisboa


Estive a ver num blog que costumo visitar regularmente um post sobre Lisboa. Fala de todos os defeitos que brotam na cidade e dos seus habitantes, os famigerados lisboetas. Concordo com muito do que foi escrito e descrito, mas não pude evitar uma certa tristeza depois de ter reflectido a sério na coisa. Primeiro, será que somos assim tão podres aos olhos do resto do país, e que vivemos tão isolados e fechados sobre nós próprios? Será que a nossa cidade, que para mim é fantástica, com tudo o que isso tem de bom e de mau, está assim tão longe de ser o que ela é para mim? Será que não queremos ver o óbvio, que esta cidade é habitada por pessoas que aqui passam mas que não querem cá ficar? Será que o facto de ser uma cidade essencialmente de serviços a afunda em burocracias dispensáveis e paralizantes? O que se passa realmente? Nota-se uma certa paragem no desenvolvimento da cidade, é verdade. Nota-se uma estagnação pútrida e um grande deserto de ideias, é verdade. Mas o que fazer?
Ajudem-me a perceber e a intervir.

domingo, setembro 16, 2007

The Shock Doctrine

A conspiração dos tempos modernos. Mais uma peça do puzzle.


Realização: Alfonso Cuarón e Naomi Klein

sábado, setembro 15, 2007


Quem achar que a mãe da Maddie tem culpas no cartório ponha o dedo no ar. (apesar de ter falado nisso ao príncipio, custa-me a acreditar que tenha sido intencional)



Imagem: Francisco Goya (1746-1828)

E eis que a meio de um mês onde a reentrada se faz lenta e paulatina, renasço outra vez para a blogosfera. Sem reflexão, apenas com vontade de comunicar a mim mesmo que ainda estou vivo e com algo para partilhar. Que eu seja bem vindo a mim próprio outra vez.

quarta-feira, agosto 29, 2007

O queixume #2

E que fique bem claro que às vezes dou por mim a ter este tipo de comportamento tão português. Não sou imune a ele, mas também não sacudo a àgua do capote. Dou a César o que é de César.

O queixume

O queixume vem no topo da lista da desresponsabilização. Toda a gente que se queixa e passa uma ideia errónea aos demais, que ficam com a imagem de que aquela pessoa até faz qualquer coisa para que as coisas sejam diferentes, mas que na hora h uma qualquer força poderosa intervém e deixa tudo como estava antes. Detesto pessoas que se alimentam da sua própria inércia, como se já tivessem tentado tudo o que está ao seu alcance e mesmo assim nada é suficiente. Detesto pessoas que pensam que toda a gente lhes deve qualquer coisa e que não fazem nada de mal. Detesto vítimas, passivas-agressivas que só têm palavras amargas para debitar aos outros para coalhar a sua frustração, esquecendo as pequenas opções que fazem todos os dias e que as transportam até ao sítio onde se encontram. O queixume é a melhor forma de ganhar aliados numa batalha que está perdida à nascença. O queixume é não saber nada sobre o que move realmente este mundo, que apesar das amarras, devolve o investimento que nele fazemos.

Uma questão pertinente: a nossa mente está ou não programada para ver e absorver o que nos acontece de forma a que o sofrimento seja menor? Ou as pessoas que simplesmente não vêm o que se passa com a objectividade necessária recusam a realidade para poderem ser menos infelizes? Porque existem coisas simples que saltam à vista. As pessoas são sempre responsáveis pelo o que lhes acontece, mesmo que queiram imputar essa responsabilidade aos outros. Quem não age não se pode queixar. Não agir é uma forma de acção consciente. O resto é desresponsabilização.

sábado, agosto 18, 2007



Este é o fundo da minha caverna, habitada por dois guardiões que tratam de todo o sistema burocrático.

sexta-feira, agosto 17, 2007


Ainda sobre o pré-conceito que existe na sociedade portuguesa sobre certos assuntos e que não faz sentido nenhum. Porquê que existe tolerância zero à condução sobre o efeito de estupefacientes e o mesmo não se verifica em relação ao àlcool, que é responsável por centenas de acidentes por ano? Tudo se resume à falta de um debate sério sobre cada uma das substâncias. Não faz sentido existir tolerância zero para substâncias que têm o mesmo nível de perigo para a condução que o alcool, ou talvez ainda menos. Desmistifiquemos o àlcool e aí estaremos no caminho de uma verdadeira politica de prevenção rodoviária.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Tabaco vs Alcool


Acho piada às pessoas que defendem os benefícios do álcool como se estivessem a usá-lo para fins medicinais. E depois vêm dizer que o tabaco faz mal e o álcool faz bem. Pois bem, para mim é tudo apenas uma questão de perspectiva. Se nos concentrarmos apenas nos maleficios de uma substãncia e nos benefícios de outra estamos a condicionar o debate. Vi um estudo que defende que o tabaco ajuda a prevenir a Doença de Parkinson. Vi outro que defende que o álcool faz bem às artérias e tem propriedades anti-oxidantes. Tudo isto deve ser relativizado. Em excesso, o álcool não tem benefícios nenhuns, assim como o tabaco. Por isso já é tempo de deixarmos de ser hipócritas e extremistas e respeitarmos os vícios e hábitos de cada um sem tentarmos por numa redoma filosófica o porquê do nosso consumo. Duvido que alguém quando vá sair à noite beba um copo a pensar nas suas propriedades anti-oxidantes e que alguém fume um cigarro com o intuito de prevenir o aparecimento de Parkinson. É tudo uma questão do que nos dá prazer ou não. E este debate anti tabaco está viciado à partida, é uma espécie de fascismo silencioso. Vivam e deixem os outros viver.

domingo, agosto 12, 2007



Sobre o entusiasmo: A vida quando é vivida no seu limite pode ou não ter um aspecto de entusiasmo.. apesar de se confundir com isso. A Adrenalina é o motor de tudo, e também do entusiasmo. Quando ela escasseia procuram-se substitutos. E quando eles deixam de funcionar entra a dependência...e a dependência é a cola que une a sociedade num grande abraço.

terça-feira, agosto 07, 2007



Hoje comecei o dia com a sensação que às vezes o mundo abandona toda a forma de comunicação que não seja partilhada por uma imensa maioria, cospe as pessoas que não têm a habilidade natural de persuadir outras a fazer o que elas querem. São coisas com as quais não gosto de conviver, mesmo que por vezes pareça que faço naturalmente parte desse grupo de elite. Mas não, cada vez é mais evidente que não faço parte. E por isso sou criticado por não comungar de rituais linguisticos semelhantes, de estratégias aprendidas por todos, diferenciadas apenas por filtros que se querem diferentes em nome da ilusão da individualidade. Sabem que mais? Eu não sou como os outros, não partilho dos seus sorrisos e não estou minimamente interessado em sorrir. Sou assim, quem está está e quem não está não faz falta.

segunda-feira, agosto 06, 2007



Foi exactamente a 6 de agosto de 1945 que se ficou a conhecer o poder da destruição e da vingança que vagueia em nós. Nada disto tinha sido feito até à data e de repente o mundo percebe que o homem tem o poder suficiente para se auto destruir numa questão de segundos. Aí está o tempo outra vez, quanto mais rápido mais eficaz. Acabávamos de entrar na era nuclear. E desde de então ainda estamos relutantes em sair dela.
Depois desta explosão, morrem 140 mil pessoas. Apenas nos primeiros segundos. Devastador, e perpetuado pelos defensores da liberdade e da democracia, os mesmos que vão atrás dos outros países que supostamente têm estas armas, com guerras preventivas. Esquecem-se que os únicos a usar esta arma de destruição maciça até hoje foram eles. Um dia marcado pela vergonha. Para finalizar, um relato de uma das sobreviventes do massacre:



" Quando a bomba veio vi um clarão amarelo e fiquei rodeada pela escuridão. Um edifício de madeira com dois andares que era a minha casa com oito quartos ficou feito em pedaços e cobriu-me.

Quando vim a mim estava tudo negro como breu à minha volta. Tentei levantar-me mas tinha uma perna partida. Tentei falar mas vi que tinha partido seis dentes. Quando reparei que tinha a cara e as costas queimadas, que tinha um corte que ia do ombro até à cintura, rastejei até à margem do rio e quando lá cheguei vi centenas de corpos a boiar. Foi aí que percebi, chocada, que tinham atingido toda a cidade de Hiroshima.

Encontrei uma fila infindável de refugiados todos sem qualquer peça de roupa no corpo e a pele da cara, dos braços e do peito fora arrancada e estava pendurada e, contudo, eles não tinham qualquer expressão. Fugiam em silêncio profundo. Achei que era uma procissão de fantasmas. "
Época de verão. Tudo se torna lento, vagaroso. É o nosso próprio ritmo circadiano que nos impele à letargia, à acomodação ao calor. Como tudo o que é feito nesta vida tem uma componente tempo, agora é tempo de deixar o meu cérebro a descansar. Irei postar nas próximas semanas apenas imagens para posterior reflexão, tentando fazer com que elas descrevam solenemente o dia em que se encontram.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Ingmar Bergman - The Seventh Seal

uma cena clássica de um dos melhores filmes de Bergman.



O King vai fazer sessões de tributo a estes dois realizadores durante o fim de semana, sempre na sessão da meia-noite. Este filme vai ser um dos que vão ser exibidos. A não perder.


Imagem: Blow Up

Assim de repente o cinema europeu perde duas das suas maiores referências. Michaelangelo Antonioni também nos abandonou com a idade de 94 anos. Consta que morreu em casa. Pelo menos tiveram os dois mortes aparentemente tranquilas. Para mim isto é sinónimo de legado cumprido. Descansem em paz.



Imagem: Blow Up