segunda-feira, setembro 29, 2008
Conspiração?
Este mundo à beira do colapso é, como sempre, uma estória mal contada. Já contada várias vezes e semelhante nas suas falências e fusões. A mim cheira-me a conspiração. E a vocês?
quinta-feira, setembro 18, 2008
Gotas revolucionárias de café quente

" (...) O desconhecido observa as redondezas e escolhe um lugar para se sentar…
Os nossos olhos encontram-se a meio caminho da sala e detêm-se por instantes…parece ter escolhido vir na minha direcção… pergunta-me se está disponivel o assento, ao que eu respondo afirmativamente… estava, de facto, curioso para mergulhar na sua proveniência…
Por momentos ficamos em silêncio, à semelhança de toda a sala que nos observa, suspensa de todas as suas actividades…o relógio de parede hesita por uns segundos, sem saber como imprimir ritmo aos ponteiros também imóveis…penso em recortar o ambiente à nossa volta, em isolá-lo, mas tenho medo de modificar toda a envolvente que permeia este momento …
Resvalamos nos encostos destas cadeiras frias e eis que surge a primeira palavra: ele pergunta-me se o café aqui servido possui instintos revolucionários… Confesso que fiz um esforço tremendo para tentar perceber aquilo que ele estava a dizer; tudo o que consegui articular foi uma expressão de incredulidade tal que ele não conteve um sorriso…
Pedi-lhe delicadamente que me mostrasse como é que uma simples chavena de café poderia conter instintos revolucionários, como é que poderia orquestrar revoltas contra o estado das coisas e mobilizar as pessoas nesse sentido… foi o ponto de partida para a conversa mais bizarra que alguma vez tinha mantido com um estranho… começou por dizer que não estava ali de corpo inteiro, que naquele momento era um fragmento dele próprio que interagia amenamente comigo… falou da forma como as gotas quentes se reúnem no fundo de recipientes, como insuspeitas aprendem a ler mentes humanas e a aperfeiçoar efeitos secundários, da forma inteligente como planeiam fugas insidiosas em tampos de mesas redondas das mais altas patentes… arrependi-me amargamente de não ter comigo o bloco de notas matinais para poder confrontar mais tarde a veracidade daquele momento.
Apesar da aparente surrealidade daquele ser e da estranheza causada pelo seu discurso delirante, era afável; a textura da sua voz era familiar; sim, igual a um dia de final de setembro, soalheiro mas com a nostalgia própria de fim de estação… combinava uma lufada de ar fresco com o mistério do dia de hoje (...)"
Texto: Excerto de "Uma breve história matinal" de Paulo Dias
Pintura: Emil Nolde (1867-1956)
quarta-feira, setembro 17, 2008
Sobre o Deus que não se sabe se existe
"... se eu pudesse pelo menos reconhecê-lo e convidá-lo para uma conversa calma, falar de como estou longe de qualquer ideia triunfante encomendada para me entreter; poder questionar se algum dia ele pensou que a cortina de ilusão duraria para sempre e no caso da humanidade acordar, que tipo de estratégia alternativa tinha em mente… a ausência dele reveste-se, indecisa, de um significado nunca antes visto; o milagre da solidão que enquanto o diabo nos esfrega os olhos alastra e toma proporções consideráveis fez-me finalmente acordar para todo este véu enfumarado que separa os saudáveis fumadores da vida, os verdadeiros sábios que se vão matando aos poucos, voluntáriamente e apesar de todos os avisos, dos outros que pensam que a abstinência potável e a conformidade às regras pré-existentes é a melhor droga ( que a paz esteja com ele+s)…"
Texto: Excerto de "A cortina de fumo" de Paulo Dias
Texto: Excerto de "A cortina de fumo" de Paulo Dias
#8:Substituir a revolta pela culpabilidade
Fazer crer ao individuo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo auto-desvaloriza-se, culpabiliza-se, engendrando um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção não há revolta nem revolução.
terça-feira, setembro 09, 2008
#7: Manter o público na ignorância
Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controlo e escravidão.
"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível para as classes inferiores." (cf. "Armas silenciosas para guerras tranquilas)
"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível para as classes inferiores." (cf. "Armas silenciosas para guerras tranquilas)
segunda-feira, setembro 08, 2008
#6: Apelar ao emocional
Apelar ao emocional é uma técnica clássica para boicotar a análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos.
Isto faz-me lembrar as fases de embriaguez patriótica que ciclicamente se vão verificando. Veja-se o que acontece quando há um mundial ou um europeu, em que normalmente nos convencem que somos os melhores do mundo, apelam ao amor patriótico e cantam o hino a altos berros para inglês ver.
Isto faz-me lembrar as fases de embriaguez patriótica que ciclicamente se vão verificando. Veja-se o que acontece quando há um mundial ou um europeu, em que normalmente nos convencem que somos os melhores do mundo, apelam ao amor patriótico e cantam o hino a altos berros para inglês ver.
#5: Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas
A maior parte das publicidades destinadas ao grande público utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adopta um tom infantilizante. Porquê?
"Se se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos, ela terá, com uma certa probabilidade, devido à sugestibilidade, uma resposta ou reacção tão destituída de sentido crítico como uma pessoa de 12 anos. (cf. "Armas silenciosas para guerras tranquilas.)
"Se se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos, ela terá, com uma certa probabilidade, devido à sugestibilidade, uma resposta ou reacção tão destituída de sentido crítico como uma pessoa de 12 anos. (cf. "Armas silenciosas para guerras tranquilas.)
sábado, setembro 06, 2008
#4: A estratégia do diferimento
Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacríficio imediato. Primeiro porque a dor não será repentina: depois porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que "tudo será melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
Exemplo recente disto é a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e económica dos países da Zona Euro. Estas mudanças foram aceites pelos países em 94-95 para uma aplicação em 2001.
Exemplo recente disto é a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e económica dos países da Zona Euro. Estas mudanças foram aceites pelos países em 94-95 para uma aplicação em 2001.
quinta-feira, setembro 04, 2008
quarta-feira, setembro 03, 2008
#3: A estratégia do esbatimento
Para fazer passar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 80 e 90. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas brutalmente.
terça-feira, setembro 02, 2008
#2: Criar problemas
Mais uma estratégia de manipulação: "criar problemas para depois oferecer as soluções.
Este método também é denominado de "problema- reacção-solução". Primeiro cria-se um problema, uma situação destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar a violência urbana desenvolver-se ou organizar atentados sangrentos, com o objectivo que o público passe a reivindicar leis securitárias e securizantes em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer com que o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos seja um mal necessário."
Não vos parece familiar? Isto é uma das estratégias em curso hoje, como o pseudo aumento da criminalidade. E entretanto é aprovada pelo Presidente da República uma nova lei de segurança interna. Curioso, não?
Este método também é denominado de "problema- reacção-solução". Primeiro cria-se um problema, uma situação destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar a violência urbana desenvolver-se ou organizar atentados sangrentos, com o objectivo que o público passe a reivindicar leis securitárias e securizantes em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer com que o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos seja um mal necessário."
Não vos parece familiar? Isto é uma das estratégias em curso hoje, como o pseudo aumento da criminalidade. E entretanto é aprovada pelo Presidente da República uma nova lei de segurança interna. Curioso, não?
segunda-feira, setembro 01, 2008
Estratégias de manipulação

Falei da necessidade urgente de deixarmos a miopia de lado. Considerem isto como uma cirurgia correctiva. A seguir vou postar uma série de estratégias de manipulação, dia após dia, para que possam estar com os olhos mais abertos e com uma maior vontade de intervir, seja no que for e de que maneira for. Para começar, a Secretária de Estado Condoleeza Rice vem a Portugal esta semana. Podemos todos dar-lhe uma recepção calorosa, por exemplo. Mas aqui vai, a estratégia de manipulação como definição:
" A estratégia de diversão:"
-Elemento primordial do controlo social, a estratégia de diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mutações decididas pelas elites politicas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.
Esta estratégia é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.
" Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais" ( Extraído de " Armas silenciosas para guerras tranquilas"
Nos próximos dias continuarei a por mais estratégias...
domingo, agosto 31, 2008
Os Media Irresponsáveis.
Não é por abrirem diáriamente com notícias de assaltos e homicídios que vou passar a ter medo das pessoas. Não me vencem pela exaustão nem controlam o meu espírito. Por mim podem continuar a tentar, Não Vencerão.
A toda esta celeuma criada pela repetição destas notícias eu chamo de irresponsabilidade. Deve servir os interesses de alguém. É o negócio da (in)segurança a entrar pelos nossos lares a dentro, à semelhança de uma invasão domiciliária. Cria-se um problema e arranja-se uma solução. Nestes casos é a supressão das liberdades individuais com o pretexto da necessidade de haver mais segurança. E com esse pretexto vem mais policiamento nas ruas, mais rusgas, mais apreensões, mais operações Stop, mais bofetadas e pontapés em todos aqueles que já são esquecidos pela sociedade, em suma, mais ilusão de segurança a legitimar a necessidade de segurança. Tudo começa com um evento, neste caso um tiroteio entre duas"etnias" diferentes, uma africana, contentor desse continente longinquo e uniforme que é Àfrica, viveiro de pessoas ignorantes, violentas e que passam a vida toda a roubar e a molestar a existência pacífica deste povo de brandos costumes; a outra cigana, bode expiatório preferido da xenofobia europeia, povo que não respeita nada nem ninguém e por isso merece ser enxovalhado e discriminado; depois o assalto a um banco vivido ao vivo, transmitido em directo para toda a nação ver, indignada, tecendo comentários nos cafés, à volta das mesas, regadas de lugares comuns que trepam pela boca dos repórteres que cobrem o evento, tudo isto por culpa de "dois brasileiros" que fazem reféns e que reforçam todas as ideias prévias que nos são inculcadas à martelada sobre este povo, normalmente trapaceiro e criminoso. A seguir temos um carro blindado que é mandado pelos ares com explosivos vindos de "fora, do estrangeiro", indiciando a participação de uma quadrilha sediada fora de Portugal, talvez com ligações à máfia russa. A estes rostos invisíveis dão-se caras e proveniências. Aos que são originários de Portugal, resta o silêncio, o abstracto. Dois homens, dois indivíduos, duas pessoas, dois jovens. Fica assim ao critério do receptor colorir as peças que faltam propositadamente e dar-lhe a cara que se pensa ser a cara normal do crime, o rosto do estilo de vida criminal. A isto tudo eu digo basta; chega de sermos invisuais, chegou o minuto de começarmos a questionar toda esta parcialidade sem sentido nenhum. Crimes existem todos os dias, como sempre existiram como sempre irão existir. Não existem grandes dúvidas sobre isso. As estatísticas dizem que o crime chamado violento está a aumentar. Então e a violência doméstica, as violações? Não são notícia? Porque que é que não abrem jornais com noticias de espancamentos domiciliários ou não põe reporteres à porta de uma casa onde a violência acabou de acontecer, ainda fresquinha? Os números não contemplam caras, nem contextos. Raramente se fala das causas que podem estar na presidência de eventos destes. E as coisas boas, positivas? Não são informação, não são notícia. O sorriso das coisas boas não mete medo, não nos faz comprar alarmes nem armas nem condomínios privados. Médicos salvam vidas todos os dias, pessoas ajudam outras a troco de nada, todos os dias, várias vezes ao dia, são feitos avanços na ciência todos os dias, o pólo positivo também está vivo. Mas isso não é notícia. Gostava que estivesse um repórter munido de um microfone na mão, orgulhoso por estar a cobrir a bondade, a fazer dela notícia, todos os dias, como fazem com o crime. Equilibrem a balança. O pólo positivo também está vivo, e para perceber isso é preciso não ter medo do próximo. Mas isso não é notícia, e o que não é notícia pura e simplesmente não acontece. Estou cansado de tanta irresponsabilidade por parte de um sector que tem uma responsabilidade enorme, decisiva. São muitas vezes os olhos de quem não vê, os cães guia da população que não tem tempo ou paciência para pensar pela sua própria cabeça. Por isso deixo um recado aos media, principalmente aos televisivos, por terem uma maior audiência: Não ajam como se fossem meros porta vozes da realidade, como se sair à rua fosse um risco para a nossa integridade física. Sejam francos e assumam que são porta estandartes corporativistas de uma realidade parcial que interessa por vezes esconder ou por outras amplificar. Sejam jornalistas a sério e tenham principios. E por favor parem de tratar as pessoas como se fossem burras. Porque nem toda a gente tem preguiça de pensar.
A toda esta celeuma criada pela repetição destas notícias eu chamo de irresponsabilidade. Deve servir os interesses de alguém. É o negócio da (in)segurança a entrar pelos nossos lares a dentro, à semelhança de uma invasão domiciliária. Cria-se um problema e arranja-se uma solução. Nestes casos é a supressão das liberdades individuais com o pretexto da necessidade de haver mais segurança. E com esse pretexto vem mais policiamento nas ruas, mais rusgas, mais apreensões, mais operações Stop, mais bofetadas e pontapés em todos aqueles que já são esquecidos pela sociedade, em suma, mais ilusão de segurança a legitimar a necessidade de segurança. Tudo começa com um evento, neste caso um tiroteio entre duas"etnias" diferentes, uma africana, contentor desse continente longinquo e uniforme que é Àfrica, viveiro de pessoas ignorantes, violentas e que passam a vida toda a roubar e a molestar a existência pacífica deste povo de brandos costumes; a outra cigana, bode expiatório preferido da xenofobia europeia, povo que não respeita nada nem ninguém e por isso merece ser enxovalhado e discriminado; depois o assalto a um banco vivido ao vivo, transmitido em directo para toda a nação ver, indignada, tecendo comentários nos cafés, à volta das mesas, regadas de lugares comuns que trepam pela boca dos repórteres que cobrem o evento, tudo isto por culpa de "dois brasileiros" que fazem reféns e que reforçam todas as ideias prévias que nos são inculcadas à martelada sobre este povo, normalmente trapaceiro e criminoso. A seguir temos um carro blindado que é mandado pelos ares com explosivos vindos de "fora, do estrangeiro", indiciando a participação de uma quadrilha sediada fora de Portugal, talvez com ligações à máfia russa. A estes rostos invisíveis dão-se caras e proveniências. Aos que são originários de Portugal, resta o silêncio, o abstracto. Dois homens, dois indivíduos, duas pessoas, dois jovens. Fica assim ao critério do receptor colorir as peças que faltam propositadamente e dar-lhe a cara que se pensa ser a cara normal do crime, o rosto do estilo de vida criminal. A isto tudo eu digo basta; chega de sermos invisuais, chegou o minuto de começarmos a questionar toda esta parcialidade sem sentido nenhum. Crimes existem todos os dias, como sempre existiram como sempre irão existir. Não existem grandes dúvidas sobre isso. As estatísticas dizem que o crime chamado violento está a aumentar. Então e a violência doméstica, as violações? Não são notícia? Porque que é que não abrem jornais com noticias de espancamentos domiciliários ou não põe reporteres à porta de uma casa onde a violência acabou de acontecer, ainda fresquinha? Os números não contemplam caras, nem contextos. Raramente se fala das causas que podem estar na presidência de eventos destes. E as coisas boas, positivas? Não são informação, não são notícia. O sorriso das coisas boas não mete medo, não nos faz comprar alarmes nem armas nem condomínios privados. Médicos salvam vidas todos os dias, pessoas ajudam outras a troco de nada, todos os dias, várias vezes ao dia, são feitos avanços na ciência todos os dias, o pólo positivo também está vivo. Mas isso não é notícia. Gostava que estivesse um repórter munido de um microfone na mão, orgulhoso por estar a cobrir a bondade, a fazer dela notícia, todos os dias, como fazem com o crime. Equilibrem a balança. O pólo positivo também está vivo, e para perceber isso é preciso não ter medo do próximo. Mas isso não é notícia, e o que não é notícia pura e simplesmente não acontece. Estou cansado de tanta irresponsabilidade por parte de um sector que tem uma responsabilidade enorme, decisiva. São muitas vezes os olhos de quem não vê, os cães guia da população que não tem tempo ou paciência para pensar pela sua própria cabeça. Por isso deixo um recado aos media, principalmente aos televisivos, por terem uma maior audiência: Não ajam como se fossem meros porta vozes da realidade, como se sair à rua fosse um risco para a nossa integridade física. Sejam francos e assumam que são porta estandartes corporativistas de uma realidade parcial que interessa por vezes esconder ou por outras amplificar. Sejam jornalistas a sério e tenham principios. E por favor parem de tratar as pessoas como se fossem burras. Porque nem toda a gente tem preguiça de pensar.
sábado, agosto 30, 2008
Momentâneo
Basta um momento para que a vida mude. A isso chama-se ou morte ou epifanias. Neste caso não é nenhuma delas por ser simplesmente um acidente.
terça-feira, agosto 26, 2008
A naftalina do silêncio
Ter um blogue e não ter nada para escrever é o derradeiro dilema de quem acha que tem algo para dizer ao mundo de realmente importante. O silêncio vestido desta maneira cheira a naftalina. Pareço um quadro incontornável pronto a sair cá para fora, mas porque é agosto e somos todos silly, necessita das primeiras chuvadas outonais para ser fértil.
Talvez seja o branco do fundo que me faz ter um bloqueio de escrita, talvez seja a semelhança da cor com um lençol acamado que me enche a veia literária de torpor. Ou talvez não seja nada disto e por não ser nada disto já estou a escrever outra vez.
Talvez seja o branco do fundo que me faz ter um bloqueio de escrita, talvez seja a semelhança da cor com um lençol acamado que me enche a veia literária de torpor. Ou talvez não seja nada disto e por não ser nada disto já estou a escrever outra vez.
Lego Star Wars
A minha silly season está à beira da reentré.
Por enquanto é tempo de ir mantendo a coisa a girar com uns toques de entretenimento.
sábado, agosto 16, 2008
Transformers Episode 1
Quem me conhece sabe que eu ando sempre a dizer "enerjon cubes"..aqui está o grande clássico...o primeiro episódio dos Transformers...lá mais para o fim vê-se o soundwave a sacar uns enerjon cubes..lindo!
Knight Rider TV intro Theme
Esta música é excelente, belo groove.
Hoje vou só por clássicos incontornáveis...quem não se lembra das tardes de domingo a ver isto?
quinta-feira, junho 26, 2008
Brent e os carros hibridos

Brent ausentou-se um busca de um carro que, para além de ser híbrido, fosse também a sua cara.
Deparou-se com uma série de carros que ainda não existem, à semelhança da sua cara, que também ainda não existe.
Brent está de regresso à confusão de um mundo em que tudo o que acontece é menos do que ideal.
A aridez da falsidade
O pior mesmo é quando encontramos pessoas que são àridas e falsas.
Parece que estamos a assistir em primeira mão a uma daquelas aberrações da natureza, algo que não estava planeado mas que foi gerado pela improbabilidade da sua ocorrência.
É quase angustiante perceber que receptáculos vazios andam livremente no meio de todos os outros, sem ninguém suspeitar de nada.
Parece que estamos a assistir em primeira mão a uma daquelas aberrações da natureza, algo que não estava planeado mas que foi gerado pela improbabilidade da sua ocorrência.
É quase angustiante perceber que receptáculos vazios andam livremente no meio de todos os outros, sem ninguém suspeitar de nada.
quinta-feira, maio 22, 2008
terça-feira, maio 20, 2008
Doridas
O que me dói é a dor de não a ter
e de vez em quando a coisa é só por si
breve, rala, escovada.
Bem penteada, patenteada.
Com um travo félico de arranjo
turvo.
Mas nem toda a dor tem vestidos em segunda mão
às vezes aperalta-se e antecipa a estação
corre desenfreada pelo sorriso das montras
e cola-se às paredes como se estivesse em saldo.
A dor é consumista.
gasta-me de propósito, à semelhança do dinheiro
que oferece.
E depois troca-se por outra dor qualquer.
A dor é dependente dela, mas não é região autónoma
é apenas satélite bélico...
(to be continued)
e de vez em quando a coisa é só por si
breve, rala, escovada.
Bem penteada, patenteada.
Com um travo félico de arranjo
turvo.
Mas nem toda a dor tem vestidos em segunda mão
às vezes aperalta-se e antecipa a estação
corre desenfreada pelo sorriso das montras
e cola-se às paredes como se estivesse em saldo.
A dor é consumista.
gasta-me de propósito, à semelhança do dinheiro
que oferece.
E depois troca-se por outra dor qualquer.
A dor é dependente dela, mas não é região autónoma
é apenas satélite bélico...
(to be continued)
O nome Brent
Quando lhe disseram que tinha nome de barril de petróleo e que estava em escalada, Brent sentiu um arrepio que lhe gelou a espinha e evaporou a sua forma displicente de estar. Decidiu estar mais atento ao que se passa no mundo e começou imediatamente a pesquisar as suas origens.
Brent já não pode evitar o mergulho na sociedade contemporânea. Agora está tudo demasiado evidente para passar ao lado.
Brent já não pode evitar o mergulho na sociedade contemporânea. Agora está tudo demasiado evidente para passar ao lado.
Brent e a T.V.#2
Brent ficou sem televisão. Avariou-se por ser frágil e de uma espessura que não permite sonhar com a existência de seres que se movem lá dentro. Pela primeira vez Brent sente-se triste e excluído de alguma forma de um mundo que, além de irreal, é a sua única companhia.
quarta-feira, maio 14, 2008
Sistemas faliveis
System failure.
O nosso primeiro ministro aparentemente não sabia que era proibido fumar nos vôos charter.
As regras não são para todos, já todos nós sabemos.
O nosso primeiro ministro aparentemente não sabia que era proibido fumar nos vôos charter.
As regras não são para todos, já todos nós sabemos.
terça-feira, maio 06, 2008
Autarcas

Eles partem tudo. E depois partem mais um bocado. E a seguir têm perdas de memória e agem como se nada fosse. Tudo em nome de um bem estar que só eles conseguem desfrutar.
E o resto do imaginário popular e de infância congela-se porque é assim decretado pelos autarcas.
Imagem: Feira Popular hoje em dia
segunda-feira, maio 05, 2008
Maio Lento Maio
Tinha sempre a sensação que o mês de Maio era uma espécie de tomada de fôlego do ano depois de uma corrida desenfreada dos 4 meses anteriores. O ano fazia uma pausa em Maio, dava-nos mais luz e mais tempo, mais cheiro para além dos seus 31 dias. Maio é um mês lento, quase tanto como Agosto, o mais lento de todos. Mas algo me diz que este mês de Maio vai ser o mais rápido dos últimos anos, até porque o ano já esqueceu como é que se trava e nem sabe abrandar.
Certezas não absolutas
Tenho quase a certeza que esta cor que estou a ver agora não passa de uma pálida tonalidade dela própria. Tenho quase a certeza que esta cor que vejo agora não é a cor que deveria estar a ver. Mas esta é a cor que vejo e ela não tem nome.
Tenho a certeza absoluta que se a descrevesse iriam discordar de mim. Tenho a certeza que se a maioria visse a mesma cor ela não seria a mesma cor. Tenho a certeza que se a maioria visse uma cor ligeiramente diferente, essa passaria a ser a cor que eu deveria estar a ver. Mas esta é a cor que eu vejo e ela não tem tonalidades. É simplesmente a cor que é.
Mesmo que se juntem e me tentem convencer do contrário, ela não muda a reboque das opiniões que se tem dela. A cor que eu vejo tem uma personalidade forte, simplesmente porque não se perde em detalhes.
Tenho a certeza absoluta que se a descrevesse iriam discordar de mim. Tenho a certeza que se a maioria visse a mesma cor ela não seria a mesma cor. Tenho a certeza que se a maioria visse uma cor ligeiramente diferente, essa passaria a ser a cor que eu deveria estar a ver. Mas esta é a cor que eu vejo e ela não tem tonalidades. É simplesmente a cor que é.
Mesmo que se juntem e me tentem convencer do contrário, ela não muda a reboque das opiniões que se tem dela. A cor que eu vejo tem uma personalidade forte, simplesmente porque não se perde em detalhes.
A relevância do silêncio
Afinal o que é que as pessoas têm de tão relevante para dizer, a ponto de concluirem que já não há nada a dizer? Porque não o dizem simplesmente em vez de fabricar uma expectativa porventura interessante de terem algo importante para dizer? O que é o silêncio senão uma capa barulhenta na nossa representação do outro? Se têm algo a dizer digam, não nos deixem na expectativa. Agradecemos, pelo menos eu agradeço. E talvez o mundo agradeça.
quarta-feira, abril 30, 2008
Brent e a T.V.
Brent decidiu que estava na altura de instalar Tv por cabo. Não porque tenha sido uma decisão visceral, mas porque foi batido por uma operadora telefónica hábil. Agora pode ter mais canais para zappar e escapar à matança e putrefacção social a que se assiste diariamente nestes espaços desinformativos. Brent pode assim pensar menos. Ás vezes as melhores decisões são involuntárias e Brent é um perito em tomá-las.
Brent e a hora do jantar
Um homem está a chocar a Áustria por ter mantido a sua própria filha presa numa cave durante 24 anos, durante os quais manteve uma relação incestuosa originando 7 filhos.
Brent ao ouvir esta noticia continuou a comer em frente à televisão, procurou o comando e mudou de canal, porque Brent não gosta de ver notícias que o possam engasgar à hora da refeição.
Mas não tem muito por onde escolher. Brent está inscrito numa rede social que o impele a ter reacções maniqueístas, ou a histeria ou a indiferença. E como ser recatado Brent não faz uso de nenhuma das duas. Limita-se a comer o jantar e a fazer zapping, sempre pela mesma ordem e pelos mesmos canais. Brent é como todos aqueles que veêm o telejornal como fonte de companhia e desinformação. Brent é um de nós e nós somos um de Brent. Somos todos bons fingidores.
Brent ao ouvir esta noticia continuou a comer em frente à televisão, procurou o comando e mudou de canal, porque Brent não gosta de ver notícias que o possam engasgar à hora da refeição.
Mas não tem muito por onde escolher. Brent está inscrito numa rede social que o impele a ter reacções maniqueístas, ou a histeria ou a indiferença. E como ser recatado Brent não faz uso de nenhuma das duas. Limita-se a comer o jantar e a fazer zapping, sempre pela mesma ordem e pelos mesmos canais. Brent é como todos aqueles que veêm o telejornal como fonte de companhia e desinformação. Brent é um de nós e nós somos um de Brent. Somos todos bons fingidores.
terça-feira, abril 29, 2008
Flor é uma flor.Habita os dias quentes e seduz sempre à passagem de alguém. Não é das mais formosas, mas tem manha. E cores caleidoscópicas.
E o que parece um simples colher de flor, transforma-se em estrangulamento. Flor está condenada a desaparecer às mãos de um alien que veio de longe atrás de um aroma insuportável.
Imagem: Alien a colher uma Flor (Paulo Dias, 2006)
Solução
A chave para a felicidade é a paz interior.
Basta então descobrir a maneira mais eficaz de a obtermos.
Parece fácil, não?
Basta então descobrir a maneira mais eficaz de a obtermos.
Parece fácil, não?
quinta-feira, abril 24, 2008
Indie Lisboa

Começa hoje a 5ª edição do Indie Lisboa, este ano com 238 filmes, 27 dos quais portugueses.
A programação encontra-se aqui.
Um ano depois
O meu primeiro post fez ontem um ano, assim como este blog.
Por definição estes momentos celebram-se, mesmo que silenciosamente.
O meu festejo silencioso vem acompanhado do ruído da palavra escrita mais cantada: Parabéns!
Por definição estes momentos celebram-se, mesmo que silenciosamente.
O meu festejo silencioso vem acompanhado do ruído da palavra escrita mais cantada: Parabéns!
sexta-feira, abril 18, 2008
Abril àguas mil
Estes dias de dilúvio lavam a melancolia. E transformam-nos em seres provenientes da àgua, felizes por estarmos abrigados dela e, à semelhança do fascínio que uma fogueira provoca, ficamos embasbacados com a beleza das suas mudanças de orientação e o irromper do arco íris de volta completa.
quarta-feira, abril 16, 2008
Brent
Brent não gostou de ter sido retratado como um zombie que passa através da vida sem ser tocado por ela, mas não fez nada para o sublinhar. Essa mesma revolta não é habitual em Brent, não é nem nunca será rebelde. Limitou-se a engolir o almoço como sempre engole, no mesmo café do outro lado da estrada onde está todos os dias à mesma hora. Brent não gosta de enfrentar as pessoas, não gosta que o enfrentem. Mas quando isso acontece normalmente leva sempre a pior. Brent está agastado, mas não se nota. É um bom fingidor.
Pequenas estórias para pequenos #4
Todo o boémio tem na sua colecção de memórias um momento como este. É incontornável. Se não tem, então é porque anda a fazer algo de errado.Ou então anda a fazer algo de errado poucas vezes. O caso de Elliott era exactamente este, fazer pouco e mal. Elliott queria ser boémio, seguir a tradição da família. Sendo descendente de uma nobre e infame linhagem de bon-vivants, não queria ser ele a trazer a vergonha de uma vida certinha para o meio de tantos ilustres noctivagos. Mas o sangue não lhe corria nas veias, Elliott anseava por ser certinho, beber sumos naturais, ter uma alimentação saudável, casar cedo e ter dois filhos e dois cães, um de cada. Quando fez quinze anos foi-lhe dado o manual da família, e era tradição que a partir do momento em que o recebesse o enchesse de estórias dignas de figurar no quadro de honra. Elliott estava simplesmente apavorado, não tinha o mínimo grão de boémia, nem jeito para dançar e menear ao som de um Dj a noite inteira. Sempre fora fraco, a mãe raramente abandonava a sua cabeceira, partira vários ossos por quedas insignificantes e falhava todas as provas de testosterona em que era envolvido. O seu Pai, Boémio de quinta geração, era rígido, mas paciente. Tinha a esperança que o genezinho acordasse finalmente do seu longo sono e o devolvesse ao sítio onde ele pertencia por direito e legado: a pista de dança. Depois do seu aniversário, começou a levar Elliott com ele para lhe mostrar os melhores poisos de iniciação, e até a alguns dos rituais onde os novos boémios se encontravam para partilhar experiências. Elliott apreciava a companhia do seu Pai mais do que estas mostras de talentos, tudo o que ele queria era ser atinadinho, como os miúdos da escola, chatos, desinteressantes, falar de toques e telemóveis, passar tempo nos chats e fazer directas a jogar jogos online. Era essa a vida que ele queria, nada de muito espalhafatoso.
Foi organizado um evento de Baptismo para todos os emergentes. A Elliott coube a díficil tarefa de ser o Rei da pista de dança. Andou apavorado durante dias, não conseguia dormir à noite, era este o momento porque toda a gente esperava, e toda a gente esperava que o desempenhasse com desenvoltura e atitude. Elliott era desajeitado, era assim que ele era. Como ser o Rei da pista tendo dois pés esquerdos e revestidos a chumbo?
Decidiu falar com o Guru da família, o conselheiro mor, aquele que aconselha os que se perdem do rebanho e mergulham no mar da angústia. Foi recebido com um sorriso complacente, parecia que era aguardado. Foi levado a ver fotografias dos seus antepassados a quem coube exactamente a mesma tarefa. Bares na Nova Iorque dos anos vinte, em clubes de Jazz, festas hippie dos anos sessenta cheias de missangas e amor livre, tacões enormes em discotecas dos anos setenta, penteados coloridos e mal cortados nos anos oitenta, moshes ao som de grunge nos anos noventa. Elliott viu toda a sua linhagem, em toda a linha, com todas as atitudes possiveis. Elliott aparece na imagem contente e confiante, como um bom Rei da Pista da sua linhagem dever ser. Perdeu o medo e não deixou de ser certinho, mas boémio. E hoje, casado, lê o manual e as suas estórias aos filhos, aos cães e é sempre o Rei da Pista de Dança.
Imagem: Pista de Dança (Paulo Dias, 2006)
Pequenas estórias para pequenos #3
Molly tem tido sonhos no mínimo estranhos; encontra-se vezes sem conta presa numa sala com um falo gigante. Já tentou de tudo; acordar de repente a meio da noite e virar-se para o outro lado, contar carneiros castrados para não voltar ao mesmo tema, fazer chichi na cama, ler a Biblia e o livro de São Cipriano ao mesmo tempo, beber àgua benta e comer pão de alho, mas nada. Nada resultava, tudo infrutífero. Molly vinha de uma família religiosa, onde tudo era obra de Deus. À mesa agradecia-se a refeição, eram lidos excertos do livro sagrado, os Dez Mandamentos era o seu filme favorito, à saída de casa punha sempre o pé direito primeiro e quando tinha boas notas nos testes olhava para o tecto e apontava discretamente para o céu com um sorriso cúmplice. Mas estes sonhos estavam a preocupá-la bastante, tinha vergonha de estar a ser observada pelo Todo Poderoso enquanto um falo também ele poderoso não se cansava de se encostar às paredes da sua consciência. Ficou assim durante dias, meses, anos até atingir a puberdade. Perguntou ao Padre que nome é que se dava a um sonho que se tem muitas vezes, ao que ele respondeu, pausadamente: Recorrente, minha filha, recorrente.Ao longo dos anos a relação de Molly com Deus foi-se alterando. Começou por não ter coragem de rezar à noite, achando que ia levar um grande raspanete por estar a dar guarida a todas aquelas imagens profanas. Já nem com Jesus Cristo falava, com medo que este fosse fazer queixinhas ao Pai. Afastou-se gradualmente, cada vez mais, mas sempre com a sensação de estar a trair algo mais forte do que ela. Até que um dia estava à porta de uma exposição de um artista novato, de seu nome Paulo Dias, que estava a chocar a pacata vila e que o Padre numa das eucaristias tinha desaconselhado vivamente. Por estes dias Molly já não dava tanta atenção ao que o Padre dizia e resolveu ir espreitar. Entrou devagarinho, não fosse ela ser reconhecida por uma beata vigilante, daquelas que parecem jornais de notícias, e deslizou prudentemente para uma das salas contiguas à entrada. Estava mal iluminada, por isso esgueirou-se para dentro. Os seus olhos incharam as órbitas e reconheceu imediatamente a peça que estava encostada à parede: era o falo que a perseguia nos seus abundantes sonhos pecadores. Os seus sonhos eram premonitórios e afinal era uma visionária! Molly foi-se refugiar num lar de freiras, de livre vontade, a fim de restabelecer o contacto com Deus, Jesus Cristo e afins, o seu destino. Tinha muito para rezar, afinal os anos tinham passado e havia muitos avés para recitar. É uma beata pacata Molly, virgem, solidária, ajuda o Padre sempre que pode, o coitado já está velhinho, apanhou Alzheimer e esquece-se com frequência que Deus afinal existe.
Imagem: Contemplação Fálica ou a Inveja do Pénis (Paulo Dias, 2006)
terça-feira, abril 15, 2008
Pequenas estórias para pequenos #2

A Bebel tem uma característica única: consegue dobrar as pernas e deslizar sobre encostas geladas. Não é muito útil, até porque com as alterações climáticas os climas setentrionais estão em mudança. O degelo dos pólos vai acabar por condenar a a nossa pobre amiga ao tédio e a perder corridas com tartarugas e até lebres. Mas Bebel pensa em tudo; viu na televisão que existe uma oficina onde pode revestir as suas pernas de titânio, um material super resistente e assim usar a sua invulgar elasticidade para se locomover em qualquer superfície, com a vantagem de deitar faiscas aos que atrás dela vão comendo o seu pó. Divertido, não? Pôs-se a caminho e deslizou mais depressa do que nunca, com tanta velocidade que ficou com a cara lisa e o cabelo espetado para trás.
Imagem: Auto Locomoção com Cabelos ao Vento (Paulo Dias, 2006)
Pequenas estórias para pequenos #1

Este é o homem do chapéu pequeno orfão da sua cabeça. Está à procura dela, mas como perdeu os olhos só lhe resta a intuição. Infelizmente saiu de casa e esqueceu-se dela na gaveta de cima da cómoda. Neste preciso momento está a pensar se deve voltar para trás para a ir buscar ou se continua sem ela, seguindo apenas o caminho mais à mão.
Sem sistema olfactivo, sem nada que o possa guiar para além do tacto, seria complicado encontrar a casa onde está a gaveta que guarda esquecida a intuição. Decide congelar este momento e posar para mim, imortalizando a dúvida e a curiosidade sobre a odisseia que o espera.
Imagem: A Encruzilhada (Paulo Dias, 2006)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
