terça-feira, janeiro 08, 2008

Sem palavra

E já lá vão dois meses desde que teci as últimas considerações sobre o mundo em que vivo.
Resolvi voltar. E venho reiterar o que disse no meu último post, visto que hoje fiquei a saber que não vai haver referendo ao tratado de Lisboa.

quinta-feira, novembro 15, 2007


O tempo em que a honra era um valor inalienável. Hoje em dia a mentira confunde-se com a verdade, basta ser repetida várias vezes e ter alguém que a confirme. Já ninguém está disposto a defender a sua honra com o sangue que banha as margens da carne. E a culpa é daqueles que mentem todos os dias, descaradamente, aos seus povos, e que esperam que a erosão da história transformem as inverdades em mitos.

terça-feira, novembro 13, 2007

Aconteceu na Finlândia aquilo que todos ou quase todos pensam ser exclusivo dos E.U.A. Um adolescente entrou a matar na sua escola secundária, depois de ter posto um video a circular no Youtube a avisar a futura tragédia. Não foi levado a sério, à semelhança do que aconteceu na Virginia à bem pouco tempo. A conclusão que se tira daqui é simples: ninguém leva os adolescentes a sério, e a raiz da revolta dos mesmos que praticam tais actos é precisamente serem votados ao ostracismo por todos os que os rodeiam. Estas incursões pela Web não são simples chamadas de atenção, são o fim da linha de um trajecto marcado pela solidão, a raiva acumulada pela percepção da insignificância do papel que têm no ambiente que os rodeiam e o desespero resultante, que conduz à vingança e à retaliação. São, regra geral, universos sem perpectivas, sem expectativas, sem saída, com desejo de vingança e ajuste de contas, e que por serem usadas num suporte que tem o acesso de milhões de pessoas devem ser encaradas com a gravidade que se impõe. Juntando isto tudo ao fácil acesso a armas temos o barril de pólvora ideal. Não estamos face a meros danos colaterais, apesar do que os lobbies das armas nos dizem. Estamos perante políticas que levam ao suicídio cada vez mais pessoas que desistem de viver porque ninguém se preocupa. Nem sequer quando gritam alto e a bom som que estão doentes e que precisam de ajuda. Devemos estar todos atentos a estas coisas, para que isto não volte a acontecer. Nem nos E.U.A. nem em lado nenhum.

Vivemos numa sociedade que atingiu niveis impensáveis de paranóia e descontrolo. Matamos-nos uns aos outros por descontos em garrafas de óleo, pensamos imediatamente em terrorismo quanto avistamos nuvens de fumo negras e prendemos pessoas em casa contra a sua própria vontade, só para mantermos o poder a todo o custo. E o mais engraçado é que tudo isto começa a ser confundido com normalidade. Os media tratam destas questões com uma leviandade tão grande que o mais comum dos mortais não dá valor nenhum à realidade. São estes os tempos que temos pela frente. A arrogância auto evidente dos poderes instalados está de volta e ninguém tem forças para lutar contra. Estamos demasiado ocupados a consumir a nossa vida para nos preocuparmos com estes sinais evidentes de decadência e falência da liberdade.

sábado, novembro 10, 2007

Simplicidade


Quanto mais perguntas fazemos, mais respostas temos. Quanto mais vida vivermos, mais respostas temos também. Depois temos de decidir se queremos ser cientistas ou viajantes.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Ensaio de uma despedida

O visitante abraçou-me, de novo era a juventude que voltava, e sentou-se comigo. Uma fadiga vinha da sua boca, os seus cabelos traziam a poeira do caminho, débil luz nos olhos.
A si mesmo contava as tristes coisas da sua vida, quase se repetia nela a minha pobre vida. Agasalhado nas sombras, eu olhava-o. A tarde abandonou a sala quieta quando partiu. Disse-me que foi grato viver com ele ( longínqua a juventude ), que era uma festa de alegria. Só fiquei de novo quando deixou a casa.

O luar vela a poltrona, nesta sala vêm-se os astros brilhar. É um homem cansado de esperar, que tem já velho o pesado coração e a seus olhos não sobem as lágrimas que sente.

Francisco Brines (1932)


Ensaio de uma despedida

segunda-feira, outubro 15, 2007

Getting stoned again ANIMATION


Não é justo quando os nossos demónios mais ancestrais se vestem com roupas modernas e nos assaltam durante o sono. A isso chamo de cobardia. Falta de frontalidade. Pelo menos podiam evitar a dúvida com que fico sobre a real existência dos mesmos.

sábado, outubro 13, 2007

Nine Inch Nails - ONLY

Em alta rotação nos últimos dias. Uma excelente música de um belissimo álbum acompanhado de um bom video cortesia de um grande senhor.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Resgate

Sou o mais estranho dos lugares...e por vezes este sentimento quando se estende para além da contiguidade e começa a contaminar o espaço envolvente resulta numa prisão preventiva com termo de identidade e residência. É assim que por vezes sinto o espaço que existe dentro de mim. Um lugar àrido de onde a fuga se torna impossível por falta de mantimentos.
Hoje estou assim, de luto por não saber muito bem o que é suposto sentir nestes dias que correm. Decidi então dar uma recompensa choruda: Procura-se...alguém que tenha visto para onde fui...e que entre em contacto comigo se for bem sucedido.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Pinback - Fortress

A música que percorria os meus ouvidos e também o ambiente dos meus pensamentos enquanto escrevia as palavras que escrevi..



Por hoje remeto-me ao silêncio desta imagem.



Pintura: Fernanda Araújo

Aqui sentado todas as coisas que fiz parecem mais longe, ficam com um aspecto diferente. Todas as vezes que não valorizei as atitudes de pessoas que gostavam de mim e que me respeitavam sem eu saber; elas pareceram-me sempre falsas, irreais. Divido sempre as pessoas em boas ou más, nunca existe uma noção equilibrada de quem elas são na realidade. Tudo o que acontece comigo também é catalogado da mesma maneira, eu sou totalmente bom ou totalmente mau. O mundo é assim, naturalmente clivado, naturalmente desequilibrado, sem uma perspectiva integrativa das coisas e pessoas. Ando a tentar resolver esta situação, a tentar ganhar um pouco mais de equilibrio e respeitar as pessoas, dando-lhes mais poder na minha vida e retirando-me a mim próprio desse processo tão controlador como árido. Existe sempre uma travessia do deserto, é um arquétipo da existência humana, o calor e desespero que se sente quando se está sozinho e à mercê da intempérie. Sinto que estou em plena canícula diurna e pronto para receber de volta toda a negligência que tive durante todos estes anos. É altura de sair desta amálgama involutiva em que tornei. É altura de usar a força que tenho para me deixar ir. Já vivi o suficiente para saber como curar as minhas feridas. Estou pronto e sem medo.

sábado, outubro 06, 2007

Angst - Cartoon

Vejam, vale a pena.


Estes senhores estão a partir o coco a rir neste preciso momento, num Universo paralelo a este, sentados na plateia dos acontecimentos de uma vida paralela a esta.

O Medo #2


Existe também a possibilidade de poder maquilhar as palavras por forma a deixar sair coisas íntimas sem parecer que o são. Mas o propósito da intimidade não é a evidência dela própria, a existência para que os outros tenham consciência da sua própria esfera profunda?
Tenho medo da intimidade.Tenho medo da minha esfera mais profunda. Tenho medo de espelhar o meu poço sem fundo.
(E assim começo a escrever coisas que não têm rosto mas uma alma grande. A condição que partilho com os demais. A minha vulnerabilidade engrandecida com algumas palavras que juntas formam bonitas paisagens e um fausto silêncio.)




Banda sonora: M83
Álbum: Before The Dawn Heals Us
Música: I guess i´m floating/ Teen Angst

O Medo #1


A noção de segredo ainda se torna mais estranha quando decidimos dar a cara através de um meio em que as feições são substituídas por palavras. Decidi deixar cair o véu que separa este blog de mim próprio. Mas logo se acende uma grande dúvida. O que dizer de relevante sem ser acompanhado por uma expressão facial? Talvez possa pôr entre comas uma descrição o mais exacta possível dos estados de espírito que me vão atravessando à medida que a palavra sai dolorosa de dentro de mim. Escrever sobre coisas pessoais e íntimas para uma plateia é complicado, mais dificil ainda que participar numa peça de teatro e encarnar um personagem qualquer. Ao escrever temos tempo de reflectir e de ponderar sobre que letras e paisagens queremos desenhar. E temos tempo mais do que suficiente para nos defendermos. É um dilema. Este blog deixou de ter medo, mas o seu autor ainda não.

terça-feira, outubro 02, 2007

Necessidades


A maior parte do mundo está presa às necessidades mais básicas. Quando se tem fome todo o comportamento é dirigido no sentido de se alimentar essa necessidade. Metade do mundo não tem motivação para perseguir objectivos mais elevados. E enquanto as coisas forem mantidas assim, o poder será dividido sempre pelos mesmos.




Imagem: Pirâmide de necessidades de Maslow

segunda-feira, outubro 01, 2007

Datarock -Bulldozer

Hoje ouvi esta música várias vezes...merece ser eternizada como as palavras que aqui jazem..

Sobre este Blog #2



Este blog esconde-se mais à medida que o tempo vai passando. Este blog protege-se à semelhança das vestes que os dedos que o tecem usam. Este blog não quer ser visto, é miope, apesar de não saber exactamente o que isso quer dizer. Este blog está em reestruturação porque sabe que este caminho é só sombra. Este blog precisa de não ter medo de revelar o artista e de esconder a arte. Este blog vai brevemente passar para o outro lado, aquele que tem vista privilegiada para quem o escreve. Este blog acabou de perder o medo.

Outubro


Oficialmente, Outubro aparece sempre como um auxiliar de mudança de página. E é assim que deve ser encarado, porque a partir de agora os dias equivalem-se às noites e a decomposição da terra prepara-se para mergulhar no seu âmago. Outubro é assim, o hall de entrada para Novembro, o mês em que as transformações são por demais evidentes.



Imagem: Salvador Dali (1904-1989)

quinta-feira, setembro 27, 2007

Contra factos...


Fico surpreendido pela quantidade de pessoas que opinam ser fundamentarem devidamente as suas opiniões. Falam com propriedade de coisas que ouvem em segunda mão e não se preocupam se estão a falar com base em factos ou em argumentos falaciosos. Contra factos não há argumentos, e as opiniões deviam destapar o véu da subjectividade com base, sempre que possivel, em factos. Quando isto não acontece entramos em terrenos pantanosos, o universo dos lideres de opinião que, por terem um lugar de destaque, levam as pessoas a confundir as suas opiniões com a verdade. É preciso ter cuidado com o que se diz, mesmo que seja o mais inocente possivel.



Imagem: René Magritte (1898-1967)

terça-feira, setembro 25, 2007

Moinhos de vento


D.Quixote tinha por inimigos moinhos de vento. Nós temos por inimigos aqueles que não nos compreendem ou que não compreendemos. Nós somos Quixotes. Temos por inimigos moinhos de vento que só nós conseguimos ver.

segunda-feira, setembro 24, 2007



A vida que acaba antes de começar.

domingo, setembro 23, 2007

Passado


A única forma de resgatar o passado é fotografá-lo, seja a tinta, a papel ou a película. Documentar.



Imagem: Citroen DS, o "boca de sapo"

Futuro


A única maneira de antecipar o futuro é desenhá-lo.



Imagem: Concept car urbano da Peugeot

sábado, setembro 22, 2007



É um conforto saber que ainda existem e resistem algumas pessoas honestas neste mundo, que encontram carteiras com 400 euros e devolvem-nas, sem sequer espreitar o seu conteúdo, ou mesmo espreitando, conseguem resistir à tentação e ser altruístas. Uma verdadeira lição de civismo. Um exemplo taxativo de que o mundo afinal ainda comporta uma parcela de mudança importante, que se vislumbra nestes pequenos gestos com grande significado. A todos estes anónimos...Bem-Haja.



Imagem: Enki Bilal


Ontem fui ao Kubik...e adivinhem...desilusão.
Muito fraquinho, tanto o espaço como a noite.
Ás vezes tenho a sensação que andam a brincar connosco.
10 euros secos. Exploração máxima.
Periférico. Nada fresco, nada estimulante. Pobre. Podre.
Precisamos de muito melhor.
Só o rio é que continua a valer a pena, esse nunca desilude. Nem os despertares alaranjados por cima dele.

sexta-feira, setembro 21, 2007


Existem frases que são maiores do quem as escreve, como se traduzissem em letras todo o propósito de uma vida terrestre, como se aquele arranjo e combinação de letras em palavras e de palavras em frases fosse uma sublime obra de arte, com a qual toda a humanidade se pode relacionar, precisamente por estar resumida nelas. Encontrei várias, mas uma fez imediatamente sentido, não só por ser um provérbio e desde logo estar inscrito no nosso inconsciente colecivo, encontrando correspondência em todas as culturas, mas também porque a sua simplicidade rasgou um sorriso na minha face. Aliás, foram três, uma fez-me mesmo rir e a outra atirou-me ao tapete:


"É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão" - Provérbio Chinês

Este fez-me sorrir.



"Um homem nunca está liquidado até ser enforcado" - William Shakespeare

Esta frase fez-me rir...


"No final não nos lembramos das palavras dos nossos inimigos, mas sim do silêncio dos nossos amigos" - Martin Luther King

Esta deixou-me pensativo. Muito forte.

quinta-feira, setembro 20, 2007



Sempre ouvi dizer que uma coisa quando está no seu apogeu transforma-se em outra.
Segundo o Tao, quando o Yin atinge o seu apogeu transforma-se em Yang e vice versa. Quer isto dizer que quando atingir o máximo da profundidade de sentimentos e de introspecção atingo a iluminação subjacente a Yang? E a overdose? Será apogeu? E o egoísmo? será apogeu? Neste sentido se a humanidade continuar neste caminho de destruição não terá outra alternativa senão parar e mudar de estado de consciência. Espero que isto seja mesmo verdade, tanto em termos individuais como colectivos. E, acima de tudo, lá no fundo, segundo o Tao, eu sei que isto é verdade, porque eu próprio já sou transformação, movimento e potencial.


" (..) procuro então por ti, revigorado que estou
depois de mais uma vaga de pensamentos paraquedistas;
folheio o teu cabelo que esvoaça nas abobadas mais altas da minha memória
e esgueiro-me a coberto do silêncio, preso às patas de uma pomba treinada
para se fazer anunciar suavemente, na esperança de a tua janela estar ainda em aberto…"




Texto: Excerto de "Desencontros 2" de Paulo Dias
Pintura: Egon Schiele ( 1890-1918 )

A vontade que eu tenho de transformar estes pés numa estória que seja digna de alguém que corre por gosto e mesmo assim não se cansa, nem sequer discute. Como eu gostaria às vezes de ter pés lisos e espalmados, sem mais nenhuma função do que caminhar. Como gostaria eu de os envolver em preces e devotá-los a uma causa religiosa qualquer, sem congregações de fiéis dissonantes nem cãnticos arautos de dias que se já se avizinham no horizonte. Como eu gostaria que os meus pés fossem só meus e não estivessem presos a essa panela de indecisões que convencionámos chamar de cérebro.
Como eu gostava de olhar para esta imagem e ver imediatamente qualquer outra coisa para além dos pés que lá estão. Como eu gostaria de me chamar de abstracção...Como eu gostaria que os meus pés se emoldurassem a eles próprios e viajassem pelo mundo dos museus atrelados a mim.

quarta-feira, setembro 19, 2007


E se encontrasses uns sapatos destes, o que achas que teria acontecido à Cinderela?

Se encontrasses um sapato destes, será que te darias ao trabalho de procurar o pé correspondente?

A indepedência consiste num estrada bifurcada que assusta, precisamente porque é a confirmação primordial que estamos aqui por nossa conta e risco, e que apesar de estarmos rodeados de pessoas que gostam de nós e nos nutrem, tudo o que passamos e sentimos é incomunicável. A independência comporta um factor de solidão germinante. A independência não é o mesmo que maturidade, é apenas o seu primeiro desajeitado passo. É a inevitabilidade com um andar apressado. Como o fundo de um copo de absinto, verde como a sua própria mitologia.

terça-feira, setembro 18, 2007


Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra e seu arbusto de sangue.
Com ela encantarei a noite. Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher. Seus ombros beijarei, a pedra pequena do sorriso de um momento. Mulher quase incriada, mas com a gravidade de dois seios, com o peso lúbrico e triste da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente
cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo
arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.



Texto: Herberto Hélder


Para descansar o olhar escolho duas das mulheres mais belas que habitam este planeta. Antevê-se a existência de Deus por trás do sopro silencioso da beleza de cada uma delas. Para apreciar a arte enquanto corpo. A volúpia pode e deve ser um dom.


Imagem: Monica Bellucci e Scarlet Johansson

segunda-feira, setembro 17, 2007


Um exemplo da estupidez que se apodera das pessoas que governam a cidade e só foi interrompida porque nos mexemos a tempo de o impedir. Mas, à semelhança destas aberrações, existem outras aberrações junior que proliferam pela cidade. O que quero dizer com isto? Temos de estar atentos a todos os elevadores e bandeiras gigantes de Portugal que são usadas como mijadinhas fora do penico, estratégias de imortalidade de quem não se sente à vontade com a perspectiva mais do que plausivel de virem a ser eliminados pela erosão da história..


A zona do Marquês nos anos 90.


A zona do Marquês em 1930.

#3



Este entardecer pode ser a abertura que necessitamos para podermos mudar. Ir embora é fácil, ficar e lutar é díficil. O caminho do meio é trabalhar com pessoas que vêm de fora e não têm os vícios de inactividade que nós temos. O entardecer é o abandono do dia e o mergulho na noite. Neste preciso momento nada se define, mas estão lançadas as sementes para um novo dia.

#2



A culpa é nossa. Somos nós que esvaziamos a cidade do seu conteúdo, somos nós que votamos em seres ignóbeis para nos governar, somos nós que não votamos em ninguém e nos deixamos governar, somos nós que assistimos na plateia à destruição diária do nosso património, somos nós que nada fazemos quando vemos prédios centenários a serem demolidos pela ganância dos seus proprietários, somos nós que construímos a pequenez de todo um povo e de toda uma forma de pensar, somos nós que não merecemos a cidade que temos. Se calhar foi Lisboa que nos abandonou, e deixou apenas a sua carcaça para que possamos continuar iludidos. Ela está ali, do outro lado, à espera que deixemos de estar à espera e que entremos de uma vez por todas na era da responsabilidade individual.

Sobre Lisboa


Estive a ver num blog que costumo visitar regularmente um post sobre Lisboa. Fala de todos os defeitos que brotam na cidade e dos seus habitantes, os famigerados lisboetas. Concordo com muito do que foi escrito e descrito, mas não pude evitar uma certa tristeza depois de ter reflectido a sério na coisa. Primeiro, será que somos assim tão podres aos olhos do resto do país, e que vivemos tão isolados e fechados sobre nós próprios? Será que a nossa cidade, que para mim é fantástica, com tudo o que isso tem de bom e de mau, está assim tão longe de ser o que ela é para mim? Será que não queremos ver o óbvio, que esta cidade é habitada por pessoas que aqui passam mas que não querem cá ficar? Será que o facto de ser uma cidade essencialmente de serviços a afunda em burocracias dispensáveis e paralizantes? O que se passa realmente? Nota-se uma certa paragem no desenvolvimento da cidade, é verdade. Nota-se uma estagnação pútrida e um grande deserto de ideias, é verdade. Mas o que fazer?
Ajudem-me a perceber e a intervir.

domingo, setembro 16, 2007

The Shock Doctrine

A conspiração dos tempos modernos. Mais uma peça do puzzle.


Realização: Alfonso Cuarón e Naomi Klein

sábado, setembro 15, 2007


Quem achar que a mãe da Maddie tem culpas no cartório ponha o dedo no ar. (apesar de ter falado nisso ao príncipio, custa-me a acreditar que tenha sido intencional)



Imagem: Francisco Goya (1746-1828)