O homem médio normalmente não gosta de desafiar o estado das coisas, prefere que as decisões sejam tomadas por ele.
Somos um país de homens e mulheres médios, onde esperamos sempre que venham uns senhores autoritários que nos ilibem de tomarmos decisões que possam ser embaraçosas para nós. Estes badamecos mediocres que estão no governo estão lá porque preferimos seguir as maiorias e não fazer muito barulho.Os brandos costumes são o solo de onde floresce a passividade e a não cidadania.Não aprendemos a pensar sozinhos e é por isso que vivemos à séculos numa sociedade interrompida, sem poder de contestação e a chafurdar eternamente no seu lodo.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
A realidade.
Imaginem um corredor estreito, situado algures numa torre com vários andares, cheio de mentes activas e cativas desse espaço.
Estão na escuridão e silêncio total. Sozinhas com as suas ideias. No final de cada corredor existe uma porta, mas ninguém sabe, pois todo o corredor está apagado, sem luz. Ninguém pode intuir que haja uma saída, a não ser que queira dar um sentido mais amplo à sua existência, à sua clausura. Pois bem, a partir do momento em que afirma que a porta existe, mas não a vê, está no domínio da fé, com origem numa lógica individual, separada da experiência.
Outros poderão afirmar que existem lâmpadas por cima das suas cabeças, por quererem dar um sentido mais amplo à sua existência, à sua clausura, ou ainda por temerem a sua solidão aumentada. Mas ninguém pode ter a certeza que existe luz potencial por cima;quando o afirmam querem escapar desesperadamente à sua prisão, à aparente falta de sentido daquele espaço, querem e têm esperança em sair. Estão ainda sentados na poltrona optimista da fé.
Existem aqueles que por serem pessimistas se afirmam realistas.
No fundo, têm razão.
Não existe nada para além da escuridão e é essa a realidade. Mas se acenderem a luz ou se depararem com a porta não encontrarão nenhuma correspondência entre estes eventos, dado que nada existe, nada intuiram.
Viverão a estadia nesse espaço como se não tivessem outra saída senão aceitar a sua própria condição.
Outros ficarão imóveis por intuirem o abismo à sua frente. O tempo irá encarregar-se destes.
Morrerão a projectar a paralisia do medo, sem nada conhecer e definharão com as raízes enterradas em terreno estéril.
Eu prefiro outro caminho. O de saber que existe correspondência entre os eventos, mesmo sem saber que me encontro num corredor com uma porta ao fundo e uma fileira de lâmpadas tombadas por cima da minha cabeça.
A realidade é o caminho. A iluminação do caminho é a realidade.
O caminho na torre é sempre em frente. No corredor não se vira nem à esquerda nem à direita. Por aí apenas se bate com a cabeça nas suas paredes.
Em frente não existem obstáculos, mas sim sensores de movimento. E os sensores acendem a luz do caminho.
A pouco e pouco apercebemo-nos que estamos num corredor, a pouco e pouco absorvemos a experiência do caminho.
O caminho é olhar para a frente.
Os vários andares são partes diferentes da mesma torre.
A torre é a soma de todas as experiências, este é o seu conteúdo.
As experiências fazem com que a torre desperte e tenha consciência dela própria.
A torre é a consciência que ela tem dela própria.
O despertar da torre é a realidade, e foram os seus prisioneiros que a acordaram quando se puseram em movimento.
E assim se fez luz em vários dos seus andares e a torre passou a ser um farol na noite escura.
Texto: Paulo Dias
Estão na escuridão e silêncio total. Sozinhas com as suas ideias. No final de cada corredor existe uma porta, mas ninguém sabe, pois todo o corredor está apagado, sem luz. Ninguém pode intuir que haja uma saída, a não ser que queira dar um sentido mais amplo à sua existência, à sua clausura. Pois bem, a partir do momento em que afirma que a porta existe, mas não a vê, está no domínio da fé, com origem numa lógica individual, separada da experiência.
Outros poderão afirmar que existem lâmpadas por cima das suas cabeças, por quererem dar um sentido mais amplo à sua existência, à sua clausura, ou ainda por temerem a sua solidão aumentada. Mas ninguém pode ter a certeza que existe luz potencial por cima;quando o afirmam querem escapar desesperadamente à sua prisão, à aparente falta de sentido daquele espaço, querem e têm esperança em sair. Estão ainda sentados na poltrona optimista da fé.
Existem aqueles que por serem pessimistas se afirmam realistas.
No fundo, têm razão.
Não existe nada para além da escuridão e é essa a realidade. Mas se acenderem a luz ou se depararem com a porta não encontrarão nenhuma correspondência entre estes eventos, dado que nada existe, nada intuiram.
Viverão a estadia nesse espaço como se não tivessem outra saída senão aceitar a sua própria condição.
Outros ficarão imóveis por intuirem o abismo à sua frente. O tempo irá encarregar-se destes.
Morrerão a projectar a paralisia do medo, sem nada conhecer e definharão com as raízes enterradas em terreno estéril.
Eu prefiro outro caminho. O de saber que existe correspondência entre os eventos, mesmo sem saber que me encontro num corredor com uma porta ao fundo e uma fileira de lâmpadas tombadas por cima da minha cabeça.
A realidade é o caminho. A iluminação do caminho é a realidade.
O caminho na torre é sempre em frente. No corredor não se vira nem à esquerda nem à direita. Por aí apenas se bate com a cabeça nas suas paredes.
Em frente não existem obstáculos, mas sim sensores de movimento. E os sensores acendem a luz do caminho.
A pouco e pouco apercebemo-nos que estamos num corredor, a pouco e pouco absorvemos a experiência do caminho.
O caminho é olhar para a frente.
Os vários andares são partes diferentes da mesma torre.
A torre é a soma de todas as experiências, este é o seu conteúdo.
As experiências fazem com que a torre desperte e tenha consciência dela própria.
A torre é a consciência que ela tem dela própria.
O despertar da torre é a realidade, e foram os seus prisioneiros que a acordaram quando se puseram em movimento.
E assim se fez luz em vários dos seus andares e a torre passou a ser um farol na noite escura.
Texto: Paulo Dias
sábado, fevereiro 02, 2008
Poema #3

Pudesse eu acordar de repente
sons que tenho em mim latentes
De certeza que compunha uma daquelas sinfonias
inscritas no mais profundo esconderijo...
o molde da lembrança de ti.
Pudesse eu colher o solo
onde crescem cacofónicos
e deitar todos no terreno onde ausente
floresces.
De certeza que comporia outra daquelas sinfonias
Trazia-te de volta à vida
E em vez de uma serias duas.
Pudesse eu arar a superfície do sofrimento
Onde se libertam prantos doridos
Afinados em dó.
De certeza que originava um requiem
E morrias sem querer
Ficando sem ti mais uma vez.
Pudesse eu largar a enxada
E sentar-me no baloiço da infãncia
De certeza que sairia uma cantilena
Chegarias triunfante ao colo de um giroflé
E em vez de uma serias muitas.
Pudesse eu rebolar na lama dos dias
E assistir à impavidez e à serenidade
Sereno e impávido.
Comporia uma daquelas músicas
Farfalhudas cheias de lugarejos
Comuns.
E em vez de muitas voltarias a ser uma
E eu ficaria por aqui
Por medo de voltar a perder a multiplicidade
Da tua ausência.
Texto: Paulo Dias
Poema #2

E é aqui que eu me sento, escancarado, sem apelo.
No fundo de uma acomodação bafienta.
Com restos de roupas usadas
Naftalina orfã do seu cheiro.
É junto de mim que não quero ficar.
Não cometas a loucura e imprudência de me enterrares numa lápide.
E comprometeres a minha eternidade.
Aqui jaz ninguém.
Estas ossadas não devem permanecer, devem soltar-se no universo
e confundir-se com o pólen que transporta as abelhas.
Ir ao fabrico do alimento viscoso, puro, elemento da criatura fundente
Propriedade da carne dilacerada
e das veias aquedutos de sangue.
Não me interrompas a ascenção aos cumes
prendendo a minha essência em carvalho
não sou adepto de elegias fúnebres
corro o risco de ser revelado e perecer.
Abre um buraco grita lá dentro canta o meu obituário
a toda a boémia que te encontrar
transforma-me em matéria orgânica
edifica uma àrvore de ávidos frutos cadentes
Tudo em minha honra.
E partirei assim, da mesma forma como cheguei
Nem roupa nem armadura nem silêncio.
Texto: Paulo Dias
Poema #1

Se sou liquido e estou encarcerado, porque me evaporo?
E se me evaporo, onde está a chuva a que tenho direito?
Não me considero sólido.
Se fosse sólido seria fruto da sedimentação
talvez rocha.
Ainda não houve alma que assim se pronunciasse na minha direcção.
Gostaria porém de estar aos ombros de uma montanha
vê-la parir um rato apressado
segurá-la pelas mãos na extinção do parto
e cobri-la com um manto branco de avalanche.
Mas teria de ser líquido
para poder escorrer sólido
encosta abaixo.
Não.
Não serei líquido, concerteza.
Não cabe em mim a imensidão dos oceanos e as suas riquezas.
Não aprendi a escutar o rumor das marés ou a beber a silhueta prateada das noites luadas
Nem a manter à volta falésias obstinadas em equilíbrio.
No entanto desgasto as redondezas
invento arestas afiadas ou ilhas
a quem chamo rochas e pedregulhos
e sou confundido com àgua mole.
Sou ainda pedra dura
morada de rapinas, ninhos e eremitas
metamórfico, às vezes magmático incandescente
e sonho com o tecto do mundo.
Serei então mistura
meio liquido meio sólido nunca gasoso.
Porque se fosse gasoso este poema estaria Evaporado.
Texto: Paulo Dias
terça-feira, janeiro 08, 2008
Sem palavra
E já lá vão dois meses desde que teci as últimas considerações sobre o mundo em que vivo.
Resolvi voltar. E venho reiterar o que disse no meu último post, visto que hoje fiquei a saber que não vai haver referendo ao tratado de Lisboa.
Resolvi voltar. E venho reiterar o que disse no meu último post, visto que hoje fiquei a saber que não vai haver referendo ao tratado de Lisboa.
quinta-feira, novembro 15, 2007

O tempo em que a honra era um valor inalienável. Hoje em dia a mentira confunde-se com a verdade, basta ser repetida várias vezes e ter alguém que a confirme. Já ninguém está disposto a defender a sua honra com o sangue que banha as margens da carne. E a culpa é daqueles que mentem todos os dias, descaradamente, aos seus povos, e que esperam que a erosão da história transformem as inverdades em mitos.
terça-feira, novembro 13, 2007
Aconteceu na Finlândia aquilo que todos ou quase todos pensam ser exclusivo dos E.U.A. Um adolescente entrou a matar na sua escola secundária, depois de ter posto um video a circular no Youtube a avisar a futura tragédia. Não foi levado a sério, à semelhança do que aconteceu na Virginia à bem pouco tempo. A conclusão que se tira daqui é simples: ninguém leva os adolescentes a sério, e a raiz da revolta dos mesmos que praticam tais actos é precisamente serem votados ao ostracismo por todos os que os rodeiam. Estas incursões pela Web não são simples chamadas de atenção, são o fim da linha de um trajecto marcado pela solidão, a raiva acumulada pela percepção da insignificância do papel que têm no ambiente que os rodeiam e o desespero resultante, que conduz à vingança e à retaliação. São, regra geral, universos sem perpectivas, sem expectativas, sem saída, com desejo de vingança e ajuste de contas, e que por serem usadas num suporte que tem o acesso de milhões de pessoas devem ser encaradas com a gravidade que se impõe. Juntando isto tudo ao fácil acesso a armas temos o barril de pólvora ideal. Não estamos face a meros danos colaterais, apesar do que os lobbies das armas nos dizem. Estamos perante políticas que levam ao suicídio cada vez mais pessoas que desistem de viver porque ninguém se preocupa. Nem sequer quando gritam alto e a bom som que estão doentes e que precisam de ajuda. Devemos estar todos atentos a estas coisas, para que isto não volte a acontecer. Nem nos E.U.A. nem em lado nenhum.

Vivemos numa sociedade que atingiu niveis impensáveis de paranóia e descontrolo. Matamos-nos uns aos outros por descontos em garrafas de óleo, pensamos imediatamente em terrorismo quanto avistamos nuvens de fumo negras e prendemos pessoas em casa contra a sua própria vontade, só para mantermos o poder a todo o custo. E o mais engraçado é que tudo isto começa a ser confundido com normalidade. Os media tratam destas questões com uma leviandade tão grande que o mais comum dos mortais não dá valor nenhum à realidade. São estes os tempos que temos pela frente. A arrogância auto evidente dos poderes instalados está de volta e ninguém tem forças para lutar contra. Estamos demasiado ocupados a consumir a nossa vida para nos preocuparmos com estes sinais evidentes de decadência e falência da liberdade.
sábado, novembro 10, 2007
Simplicidade
quarta-feira, novembro 07, 2007
Ensaio de uma despedida
O visitante abraçou-me, de novo era a juventude que voltava, e sentou-se comigo. Uma fadiga vinha da sua boca, os seus cabelos traziam a poeira do caminho, débil luz nos olhos.
A si mesmo contava as tristes coisas da sua vida, quase se repetia nela a minha pobre vida. Agasalhado nas sombras, eu olhava-o. A tarde abandonou a sala quieta quando partiu. Disse-me que foi grato viver com ele ( longínqua a juventude ), que era uma festa de alegria. Só fiquei de novo quando deixou a casa.
O luar vela a poltrona, nesta sala vêm-se os astros brilhar. É um homem cansado de esperar, que tem já velho o pesado coração e a seus olhos não sobem as lágrimas que sente.
Francisco Brines (1932)
Ensaio de uma despedida
A si mesmo contava as tristes coisas da sua vida, quase se repetia nela a minha pobre vida. Agasalhado nas sombras, eu olhava-o. A tarde abandonou a sala quieta quando partiu. Disse-me que foi grato viver com ele ( longínqua a juventude ), que era uma festa de alegria. Só fiquei de novo quando deixou a casa.
O luar vela a poltrona, nesta sala vêm-se os astros brilhar. É um homem cansado de esperar, que tem já velho o pesado coração e a seus olhos não sobem as lágrimas que sente.
Francisco Brines (1932)
Ensaio de uma despedida
segunda-feira, outubro 15, 2007
sábado, outubro 13, 2007
Nine Inch Nails - ONLY
Em alta rotação nos últimos dias. Uma excelente música de um belissimo álbum acompanhado de um bom video cortesia de um grande senhor.
sexta-feira, outubro 12, 2007
Resgate
Sou o mais estranho dos lugares...e por vezes este sentimento quando se estende para além da contiguidade e começa a contaminar o espaço envolvente resulta numa prisão preventiva com termo de identidade e residência. É assim que por vezes sinto o espaço que existe dentro de mim. Um lugar àrido de onde a fuga se torna impossível por falta de mantimentos.
Hoje estou assim, de luto por não saber muito bem o que é suposto sentir nestes dias que correm. Decidi então dar uma recompensa choruda: Procura-se...alguém que tenha visto para onde fui...e que entre em contacto comigo se for bem sucedido.
Hoje estou assim, de luto por não saber muito bem o que é suposto sentir nestes dias que correm. Decidi então dar uma recompensa choruda: Procura-se...alguém que tenha visto para onde fui...e que entre em contacto comigo se for bem sucedido.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Pinback - Fortress
A música que percorria os meus ouvidos e também o ambiente dos meus pensamentos enquanto escrevia as palavras que escrevi..

Aqui sentado todas as coisas que fiz parecem mais longe, ficam com um aspecto diferente. Todas as vezes que não valorizei as atitudes de pessoas que gostavam de mim e que me respeitavam sem eu saber; elas pareceram-me sempre falsas, irreais. Divido sempre as pessoas em boas ou más, nunca existe uma noção equilibrada de quem elas são na realidade. Tudo o que acontece comigo também é catalogado da mesma maneira, eu sou totalmente bom ou totalmente mau. O mundo é assim, naturalmente clivado, naturalmente desequilibrado, sem uma perspectiva integrativa das coisas e pessoas. Ando a tentar resolver esta situação, a tentar ganhar um pouco mais de equilibrio e respeitar as pessoas, dando-lhes mais poder na minha vida e retirando-me a mim próprio desse processo tão controlador como árido. Existe sempre uma travessia do deserto, é um arquétipo da existência humana, o calor e desespero que se sente quando se está sozinho e à mercê da intempérie. Sinto que estou em plena canícula diurna e pronto para receber de volta toda a negligência que tive durante todos estes anos. É altura de sair desta amálgama involutiva em que tornei. É altura de usar a força que tenho para me deixar ir. Já vivi o suficiente para saber como curar as minhas feridas. Estou pronto e sem medo.
sábado, outubro 06, 2007
O Medo #2

Existe também a possibilidade de poder maquilhar as palavras por forma a deixar sair coisas íntimas sem parecer que o são. Mas o propósito da intimidade não é a evidência dela própria, a existência para que os outros tenham consciência da sua própria esfera profunda?
Tenho medo da intimidade.Tenho medo da minha esfera mais profunda. Tenho medo de espelhar o meu poço sem fundo.
(E assim começo a escrever coisas que não têm rosto mas uma alma grande. A condição que partilho com os demais. A minha vulnerabilidade engrandecida com algumas palavras que juntas formam bonitas paisagens e um fausto silêncio.)
Banda sonora: M83
Álbum: Before The Dawn Heals Us
Música: I guess i´m floating/ Teen Angst
O Medo #1

A noção de segredo ainda se torna mais estranha quando decidimos dar a cara através de um meio em que as feições são substituídas por palavras. Decidi deixar cair o véu que separa este blog de mim próprio. Mas logo se acende uma grande dúvida. O que dizer de relevante sem ser acompanhado por uma expressão facial? Talvez possa pôr entre comas uma descrição o mais exacta possível dos estados de espírito que me vão atravessando à medida que a palavra sai dolorosa de dentro de mim. Escrever sobre coisas pessoais e íntimas para uma plateia é complicado, mais dificil ainda que participar numa peça de teatro e encarnar um personagem qualquer. Ao escrever temos tempo de reflectir e de ponderar sobre que letras e paisagens queremos desenhar. E temos tempo mais do que suficiente para nos defendermos. É um dilema. Este blog deixou de ter medo, mas o seu autor ainda não.
terça-feira, outubro 02, 2007
Necessidades

A maior parte do mundo está presa às necessidades mais básicas. Quando se tem fome todo o comportamento é dirigido no sentido de se alimentar essa necessidade. Metade do mundo não tem motivação para perseguir objectivos mais elevados. E enquanto as coisas forem mantidas assim, o poder será dividido sempre pelos mesmos.
Imagem: Pirâmide de necessidades de Maslow
segunda-feira, outubro 01, 2007
Datarock -Bulldozer
Hoje ouvi esta música várias vezes...merece ser eternizada como as palavras que aqui jazem..
Sobre este Blog #2

Este blog esconde-se mais à medida que o tempo vai passando. Este blog protege-se à semelhança das vestes que os dedos que o tecem usam. Este blog não quer ser visto, é miope, apesar de não saber exactamente o que isso quer dizer. Este blog está em reestruturação porque sabe que este caminho é só sombra. Este blog precisa de não ter medo de revelar o artista e de esconder a arte. Este blog vai brevemente passar para o outro lado, aquele que tem vista privilegiada para quem o escreve. Este blog acabou de perder o medo.
Outubro

Oficialmente, Outubro aparece sempre como um auxiliar de mudança de página. E é assim que deve ser encarado, porque a partir de agora os dias equivalem-se às noites e a decomposição da terra prepara-se para mergulhar no seu âmago. Outubro é assim, o hall de entrada para Novembro, o mês em que as transformações são por demais evidentes.
Imagem: Salvador Dali (1904-1989)
quinta-feira, setembro 27, 2007
Contra factos...

Fico surpreendido pela quantidade de pessoas que opinam ser fundamentarem devidamente as suas opiniões. Falam com propriedade de coisas que ouvem em segunda mão e não se preocupam se estão a falar com base em factos ou em argumentos falaciosos. Contra factos não há argumentos, e as opiniões deviam destapar o véu da subjectividade com base, sempre que possivel, em factos. Quando isto não acontece entramos em terrenos pantanosos, o universo dos lideres de opinião que, por terem um lugar de destaque, levam as pessoas a confundir as suas opiniões com a verdade. É preciso ter cuidado com o que se diz, mesmo que seja o mais inocente possivel.
Imagem: René Magritte (1898-1967)
terça-feira, setembro 25, 2007
Moinhos de vento
segunda-feira, setembro 24, 2007
domingo, setembro 23, 2007
sábado, setembro 22, 2007

É um conforto saber que ainda existem e resistem algumas pessoas honestas neste mundo, que encontram carteiras com 400 euros e devolvem-nas, sem sequer espreitar o seu conteúdo, ou mesmo espreitando, conseguem resistir à tentação e ser altruístas. Uma verdadeira lição de civismo. Um exemplo taxativo de que o mundo afinal ainda comporta uma parcela de mudança importante, que se vislumbra nestes pequenos gestos com grande significado. A todos estes anónimos...Bem-Haja.
Imagem: Enki Bilal

Ontem fui ao Kubik...e adivinhem...desilusão.
Muito fraquinho, tanto o espaço como a noite.
Ás vezes tenho a sensação que andam a brincar connosco.
10 euros secos. Exploração máxima.
Periférico. Nada fresco, nada estimulante. Pobre. Podre.
Precisamos de muito melhor.
Só o rio é que continua a valer a pena, esse nunca desilude. Nem os despertares alaranjados por cima dele.
sexta-feira, setembro 21, 2007

Existem frases que são maiores do quem as escreve, como se traduzissem em letras todo o propósito de uma vida terrestre, como se aquele arranjo e combinação de letras em palavras e de palavras em frases fosse uma sublime obra de arte, com a qual toda a humanidade se pode relacionar, precisamente por estar resumida nelas. Encontrei várias, mas uma fez imediatamente sentido, não só por ser um provérbio e desde logo estar inscrito no nosso inconsciente colecivo, encontrando correspondência em todas as culturas, mas também porque a sua simplicidade rasgou um sorriso na minha face. Aliás, foram três, uma fez-me mesmo rir e a outra atirou-me ao tapete:
"É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão" - Provérbio Chinês
Este fez-me sorrir.
"Um homem nunca está liquidado até ser enforcado" - William Shakespeare
Esta frase fez-me rir...
"No final não nos lembramos das palavras dos nossos inimigos, mas sim do silêncio dos nossos amigos" - Martin Luther King
Esta deixou-me pensativo. Muito forte.
quinta-feira, setembro 20, 2007

Sempre ouvi dizer que uma coisa quando está no seu apogeu transforma-se em outra.
Segundo o Tao, quando o Yin atinge o seu apogeu transforma-se em Yang e vice versa. Quer isto dizer que quando atingir o máximo da profundidade de sentimentos e de introspecção atingo a iluminação subjacente a Yang? E a overdose? Será apogeu? E o egoísmo? será apogeu? Neste sentido se a humanidade continuar neste caminho de destruição não terá outra alternativa senão parar e mudar de estado de consciência. Espero que isto seja mesmo verdade, tanto em termos individuais como colectivos. E, acima de tudo, lá no fundo, segundo o Tao, eu sei que isto é verdade, porque eu próprio já sou transformação, movimento e potencial.

" (..) procuro então por ti, revigorado que estou
depois de mais uma vaga de pensamentos paraquedistas;
folheio o teu cabelo que esvoaça nas abobadas mais altas da minha memória
e esgueiro-me a coberto do silêncio, preso às patas de uma pomba treinada
para se fazer anunciar suavemente, na esperança de a tua janela estar ainda em aberto…"
Texto: Excerto de "Desencontros 2" de Paulo Dias
Pintura: Egon Schiele ( 1890-1918 )

A vontade que eu tenho de transformar estes pés numa estória que seja digna de alguém que corre por gosto e mesmo assim não se cansa, nem sequer discute. Como eu gostaria às vezes de ter pés lisos e espalmados, sem mais nenhuma função do que caminhar. Como gostaria eu de os envolver em preces e devotá-los a uma causa religiosa qualquer, sem congregações de fiéis dissonantes nem cãnticos arautos de dias que se já se avizinham no horizonte. Como eu gostaria que os meus pés fossem só meus e não estivessem presos a essa panela de indecisões que convencionámos chamar de cérebro.
Como eu gostava de olhar para esta imagem e ver imediatamente qualquer outra coisa para além dos pés que lá estão. Como eu gostaria de me chamar de abstracção...Como eu gostaria que os meus pés se emoldurassem a eles próprios e viajassem pelo mundo dos museus atrelados a mim.
quarta-feira, setembro 19, 2007

A indepedência consiste num estrada bifurcada que assusta, precisamente porque é a confirmação primordial que estamos aqui por nossa conta e risco, e que apesar de estarmos rodeados de pessoas que gostam de nós e nos nutrem, tudo o que passamos e sentimos é incomunicável. A independência comporta um factor de solidão germinante. A independência não é o mesmo que maturidade, é apenas o seu primeiro desajeitado passo. É a inevitabilidade com um andar apressado. Como o fundo de um copo de absinto, verde como a sua própria mitologia.
terça-feira, setembro 18, 2007

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra e seu arbusto de sangue.
Com ela encantarei a noite. Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher. Seus ombros beijarei, a pedra pequena do sorriso de um momento. Mulher quase incriada, mas com a gravidade de dois seios, com o peso lúbrico e triste da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente
cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo
arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
Texto: Herberto Hélder
segunda-feira, setembro 17, 2007

Um exemplo da estupidez que se apodera das pessoas que governam a cidade e só foi interrompida porque nos mexemos a tempo de o impedir. Mas, à semelhança destas aberrações, existem outras aberrações junior que proliferam pela cidade. O que quero dizer com isto? Temos de estar atentos a todos os elevadores e bandeiras gigantes de Portugal que são usadas como mijadinhas fora do penico, estratégias de imortalidade de quem não se sente à vontade com a perspectiva mais do que plausivel de virem a ser eliminados pela erosão da história..
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