segunda-feira, março 31, 2008
Ilusão ou verdade?
sexta-feira, março 28, 2008
quarta-feira, março 26, 2008
Porque não usar um martelo nos outros?
A questão é muito simples: porque dói.
E se mesmo assim o usassem, a pessoa era capaz de fazer o mesmo e atingir-vos de volta. Continuaria a doer.
Ou seja, em suma, se batermos em alguém com um martelo e essa pessoa tiver um à mão, estariamos a bater em nós próprios no final das contas.
É uma das maneiras de percebermos que somos todos UM.
terça-feira, março 25, 2008
A revolução é agora
A revolução é agora e para isso temos de ser todos humanos, nem mais nem menos que outros iguais a nós. E temos de, eu incluído, deixar de adiar. Não se dizia que esta geração não tem ideais pelos quais lutar? Pois bem, eu digo-vos que não existe luta mais premente do que salvar o mundo. Como os heróis de ficção que à última da hora impedem os maquiavélicos vilões de destruir a Terra ou o Universo.
segunda-feira, março 24, 2008
Jean Seberg
Uma das minhas mulheres de Godard preferidas.Simples, pós-moderna e sofisticada.De cortar a respiração em várias unidades de saudade.
A Banda Sonora de Stereolab é uma repetição neste blog, onde tinha dito se esta música tivesse género seria feminina e de cabelo curto. Aqui está a confirmação:
"Se pudessemos atribuir um dia da semana a esta música, ela seria claramente um sábado à noite; se fosse um mês do ano ele teria de ser quente; se tivesse nome de mulher não ficaria mal entregue...se tivesse boca eu beijava-a... se tivesse corpo seria discreto, se tivesse aspecto físico seria bela e simples, se tivesse cabelo seria curto e se tivesse rodas seria um carrinho de rolamentos".

As mulheres de Bilal parecem homens que decidiram ser mais belos e transformaram-se em mulheres.
Se fossem vivas estariam a anos luz de distância, num mundo onde dominariam sem sombra de dúvida.
Imagem: Enki Bilal, personagem Eva do filme Tykho Moon
sábado, março 22, 2008
Tibete vs China

A verdadeira face dos jogos olimpicos, onde caem recordes, mas não barreiras.
Sendo as Olimpiadas a celebração de um certo tipo de vida e de mundo, que mundo é este que vamos celebrar em Pequim daqui a uns meses?
A guerra generalizou-se. Temos instituições caducas, sediadas nos interesses dos países que as conduzem e que desvirtuam o propósito para o qual foram criadas. De que serve termos uma NATO ou uma ONU se mais depressa promovem a destruição, o desinteresse pela vida humana e a falência da solidariedade entre povos?
Estas olimpiadas são realizadas num ano em que a guerra é a regra. Estas olimpiadas não deveriam ser uma capa de hipocrisia e de branquamento da intolerância dos países historicamente imperialistas. Estas olimpiadas são a vergonha a ser celebrada no território da vergonha.Sou contra a realização das olimpiadas num país que não respeita a história, os direitos e a independência de um território que resolveu anexar.Os jogos olimpicos celebram a irmandade e solidariedade entre os diferentes povos do mundo. Aproxima-nos uns dos outros, faz-nos sentir parte de um todo harmónico, com as mesmas aspirações, parte de uma comunidade alargada a que chamamos humanidade. É isto o desporto, é esta a mentalidade que preside e alimenta os jogos olimpicos.É um espaço de paz e como tal deve estar livre de quem fomenta a guerra.
quinta-feira, março 20, 2008
A Felicidade de ser o Outro

"Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,
Que felicidade há sempre!
Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.
São felizes, porque não são eu.
As crianças, que brincam às sacadas altas,
Vivem entre vasos de flores,
Sem dúvida, eternamente.
As vozes, que sobem do interior do doméstico,
Cantam sempre, sem dúvida.
Sim, devem cantar.
Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.
Assim tem que ser onde tudo se ajusta –
O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.
Que grande felicidade não ser eu!
Mas os outros não sentirão assim também?
Quais outros? Não há outros.
O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,
Ou, quando se abre,
É para os crianças brincarem na varanda de grades,
Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.
Os outros nunca sentem.
Quem sente somos nós,
Sim, todos nós,
Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.
Nada? não sei...
Um nada que dói..."
Alvaro de Campos
quarta-feira, março 19, 2008
Tao
"Havia qualquer coisa de indeterminado antes do nascimento do Universo.
Esta qualquer coisa é silenciosa e vazia.
É independente e inalterável. Circula por toda a parte sem nunca se fatigar.
Deve ser a Mãe do Universo.
Como não lhe conheço o nome chamo-lhe "Tao"
Esforço-me por chamar-lhe grandeza.
A grandeza implica extensão.
A grandeza implica afastamento.
O afastamento exige retorno.
O Tao é grande.
O céu é grande.
A terra é grande.
O homem é grande.
Eis porque o homem é um dos quatro grandes.
O homem imita a terra.
A terra imita o céu.
O céu imita o Tao.
O Tao é o único modelo de si próprio.
Lao Tse
terça-feira, março 18, 2008
quarta-feira, março 12, 2008
quarta-feira, março 05, 2008
A caverna.
O que me dá alento para cortar a barba do isolamento e juntar-me à celebração da vida.
A caverna constrói-se através da reflexão e depuração do isolamento e da vontade de dar algo de volta ao universo.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Desafios
Somos um país de homens e mulheres médios, onde esperamos sempre que venham uns senhores autoritários que nos ilibem de tomarmos decisões que possam ser embaraçosas para nós. Estes badamecos mediocres que estão no governo estão lá porque preferimos seguir as maiorias e não fazer muito barulho.Os brandos costumes são o solo de onde floresce a passividade e a não cidadania.Não aprendemos a pensar sozinhos e é por isso que vivemos à séculos numa sociedade interrompida, sem poder de contestação e a chafurdar eternamente no seu lodo.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
A realidade.
Estão na escuridão e silêncio total. Sozinhas com as suas ideias. No final de cada corredor existe uma porta, mas ninguém sabe, pois todo o corredor está apagado, sem luz. Ninguém pode intuir que haja uma saída, a não ser que queira dar um sentido mais amplo à sua existência, à sua clausura. Pois bem, a partir do momento em que afirma que a porta existe, mas não a vê, está no domínio da fé, com origem numa lógica individual, separada da experiência.
Outros poderão afirmar que existem lâmpadas por cima das suas cabeças, por quererem dar um sentido mais amplo à sua existência, à sua clausura, ou ainda por temerem a sua solidão aumentada. Mas ninguém pode ter a certeza que existe luz potencial por cima;quando o afirmam querem escapar desesperadamente à sua prisão, à aparente falta de sentido daquele espaço, querem e têm esperança em sair. Estão ainda sentados na poltrona optimista da fé.
Existem aqueles que por serem pessimistas se afirmam realistas.
No fundo, têm razão.
Não existe nada para além da escuridão e é essa a realidade. Mas se acenderem a luz ou se depararem com a porta não encontrarão nenhuma correspondência entre estes eventos, dado que nada existe, nada intuiram.
Viverão a estadia nesse espaço como se não tivessem outra saída senão aceitar a sua própria condição.
Outros ficarão imóveis por intuirem o abismo à sua frente. O tempo irá encarregar-se destes.
Morrerão a projectar a paralisia do medo, sem nada conhecer e definharão com as raízes enterradas em terreno estéril.
Eu prefiro outro caminho. O de saber que existe correspondência entre os eventos, mesmo sem saber que me encontro num corredor com uma porta ao fundo e uma fileira de lâmpadas tombadas por cima da minha cabeça.
A realidade é o caminho. A iluminação do caminho é a realidade.
O caminho na torre é sempre em frente. No corredor não se vira nem à esquerda nem à direita. Por aí apenas se bate com a cabeça nas suas paredes.
Em frente não existem obstáculos, mas sim sensores de movimento. E os sensores acendem a luz do caminho.
A pouco e pouco apercebemo-nos que estamos num corredor, a pouco e pouco absorvemos a experiência do caminho.
O caminho é olhar para a frente.
Os vários andares são partes diferentes da mesma torre.
A torre é a soma de todas as experiências, este é o seu conteúdo.
As experiências fazem com que a torre desperte e tenha consciência dela própria.
A torre é a consciência que ela tem dela própria.
O despertar da torre é a realidade, e foram os seus prisioneiros que a acordaram quando se puseram em movimento.
E assim se fez luz em vários dos seus andares e a torre passou a ser um farol na noite escura.
Texto: Paulo Dias
sábado, fevereiro 02, 2008
Poema #3

Pudesse eu acordar de repente
sons que tenho em mim latentes
De certeza que compunha uma daquelas sinfonias
inscritas no mais profundo esconderijo...
o molde da lembrança de ti.
Pudesse eu colher o solo
onde crescem cacofónicos
e deitar todos no terreno onde ausente
floresces.
De certeza que comporia outra daquelas sinfonias
Trazia-te de volta à vida
E em vez de uma serias duas.
Pudesse eu arar a superfície do sofrimento
Onde se libertam prantos doridos
Afinados em dó.
De certeza que originava um requiem
E morrias sem querer
Ficando sem ti mais uma vez.
Pudesse eu largar a enxada
E sentar-me no baloiço da infãncia
De certeza que sairia uma cantilena
Chegarias triunfante ao colo de um giroflé
E em vez de uma serias muitas.
Pudesse eu rebolar na lama dos dias
E assistir à impavidez e à serenidade
Sereno e impávido.
Comporia uma daquelas músicas
Farfalhudas cheias de lugarejos
Comuns.
E em vez de muitas voltarias a ser uma
E eu ficaria por aqui
Por medo de voltar a perder a multiplicidade
Da tua ausência.
Texto: Paulo Dias
Poema #2

E é aqui que eu me sento, escancarado, sem apelo.
No fundo de uma acomodação bafienta.
Com restos de roupas usadas
Naftalina orfã do seu cheiro.
É junto de mim que não quero ficar.
Não cometas a loucura e imprudência de me enterrares numa lápide.
E comprometeres a minha eternidade.
Aqui jaz ninguém.
Estas ossadas não devem permanecer, devem soltar-se no universo
e confundir-se com o pólen que transporta as abelhas.
Ir ao fabrico do alimento viscoso, puro, elemento da criatura fundente
Propriedade da carne dilacerada
e das veias aquedutos de sangue.
Não me interrompas a ascenção aos cumes
prendendo a minha essência em carvalho
não sou adepto de elegias fúnebres
corro o risco de ser revelado e perecer.
Abre um buraco grita lá dentro canta o meu obituário
a toda a boémia que te encontrar
transforma-me em matéria orgânica
edifica uma àrvore de ávidos frutos cadentes
Tudo em minha honra.
E partirei assim, da mesma forma como cheguei
Nem roupa nem armadura nem silêncio.
Texto: Paulo Dias
Poema #1

Se sou liquido e estou encarcerado, porque me evaporo?
E se me evaporo, onde está a chuva a que tenho direito?
Não me considero sólido.
Se fosse sólido seria fruto da sedimentação
talvez rocha.
Ainda não houve alma que assim se pronunciasse na minha direcção.
Gostaria porém de estar aos ombros de uma montanha
vê-la parir um rato apressado
segurá-la pelas mãos na extinção do parto
e cobri-la com um manto branco de avalanche.
Mas teria de ser líquido
para poder escorrer sólido
encosta abaixo.
Não.
Não serei líquido, concerteza.
Não cabe em mim a imensidão dos oceanos e as suas riquezas.
Não aprendi a escutar o rumor das marés ou a beber a silhueta prateada das noites luadas
Nem a manter à volta falésias obstinadas em equilíbrio.
No entanto desgasto as redondezas
invento arestas afiadas ou ilhas
a quem chamo rochas e pedregulhos
e sou confundido com àgua mole.
Sou ainda pedra dura
morada de rapinas, ninhos e eremitas
metamórfico, às vezes magmático incandescente
e sonho com o tecto do mundo.
Serei então mistura
meio liquido meio sólido nunca gasoso.
Porque se fosse gasoso este poema estaria Evaporado.
Texto: Paulo Dias
terça-feira, janeiro 08, 2008
Sem palavra
Resolvi voltar. E venho reiterar o que disse no meu último post, visto que hoje fiquei a saber que não vai haver referendo ao tratado de Lisboa.
quinta-feira, novembro 15, 2007

O tempo em que a honra era um valor inalienável. Hoje em dia a mentira confunde-se com a verdade, basta ser repetida várias vezes e ter alguém que a confirme. Já ninguém está disposto a defender a sua honra com o sangue que banha as margens da carne. E a culpa é daqueles que mentem todos os dias, descaradamente, aos seus povos, e que esperam que a erosão da história transformem as inverdades em mitos.
terça-feira, novembro 13, 2007

Vivemos numa sociedade que atingiu niveis impensáveis de paranóia e descontrolo. Matamos-nos uns aos outros por descontos em garrafas de óleo, pensamos imediatamente em terrorismo quanto avistamos nuvens de fumo negras e prendemos pessoas em casa contra a sua própria vontade, só para mantermos o poder a todo o custo. E o mais engraçado é que tudo isto começa a ser confundido com normalidade. Os media tratam destas questões com uma leviandade tão grande que o mais comum dos mortais não dá valor nenhum à realidade. São estes os tempos que temos pela frente. A arrogância auto evidente dos poderes instalados está de volta e ninguém tem forças para lutar contra. Estamos demasiado ocupados a consumir a nossa vida para nos preocuparmos com estes sinais evidentes de decadência e falência da liberdade.
sábado, novembro 10, 2007
Simplicidade
quarta-feira, novembro 07, 2007
Ensaio de uma despedida
A si mesmo contava as tristes coisas da sua vida, quase se repetia nela a minha pobre vida. Agasalhado nas sombras, eu olhava-o. A tarde abandonou a sala quieta quando partiu. Disse-me que foi grato viver com ele ( longínqua a juventude ), que era uma festa de alegria. Só fiquei de novo quando deixou a casa.
O luar vela a poltrona, nesta sala vêm-se os astros brilhar. É um homem cansado de esperar, que tem já velho o pesado coração e a seus olhos não sobem as lágrimas que sente.
Francisco Brines (1932)
Ensaio de uma despedida
segunda-feira, outubro 15, 2007
sábado, outubro 13, 2007
Nine Inch Nails - ONLY
Em alta rotação nos últimos dias. Uma excelente música de um belissimo álbum acompanhado de um bom video cortesia de um grande senhor.
sexta-feira, outubro 12, 2007
Resgate
Hoje estou assim, de luto por não saber muito bem o que é suposto sentir nestes dias que correm. Decidi então dar uma recompensa choruda: Procura-se...alguém que tenha visto para onde fui...e que entre em contacto comigo se for bem sucedido.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Pinback - Fortress
A música que percorria os meus ouvidos e também o ambiente dos meus pensamentos enquanto escrevia as palavras que escrevi..

Aqui sentado todas as coisas que fiz parecem mais longe, ficam com um aspecto diferente. Todas as vezes que não valorizei as atitudes de pessoas que gostavam de mim e que me respeitavam sem eu saber; elas pareceram-me sempre falsas, irreais. Divido sempre as pessoas em boas ou más, nunca existe uma noção equilibrada de quem elas são na realidade. Tudo o que acontece comigo também é catalogado da mesma maneira, eu sou totalmente bom ou totalmente mau. O mundo é assim, naturalmente clivado, naturalmente desequilibrado, sem uma perspectiva integrativa das coisas e pessoas. Ando a tentar resolver esta situação, a tentar ganhar um pouco mais de equilibrio e respeitar as pessoas, dando-lhes mais poder na minha vida e retirando-me a mim próprio desse processo tão controlador como árido. Existe sempre uma travessia do deserto, é um arquétipo da existência humana, o calor e desespero que se sente quando se está sozinho e à mercê da intempérie. Sinto que estou em plena canícula diurna e pronto para receber de volta toda a negligência que tive durante todos estes anos. É altura de sair desta amálgama involutiva em que tornei. É altura de usar a força que tenho para me deixar ir. Já vivi o suficiente para saber como curar as minhas feridas. Estou pronto e sem medo.
sábado, outubro 06, 2007
O Medo #2

Existe também a possibilidade de poder maquilhar as palavras por forma a deixar sair coisas íntimas sem parecer que o são. Mas o propósito da intimidade não é a evidência dela própria, a existência para que os outros tenham consciência da sua própria esfera profunda?
Tenho medo da intimidade.Tenho medo da minha esfera mais profunda. Tenho medo de espelhar o meu poço sem fundo.
(E assim começo a escrever coisas que não têm rosto mas uma alma grande. A condição que partilho com os demais. A minha vulnerabilidade engrandecida com algumas palavras que juntas formam bonitas paisagens e um fausto silêncio.)
Banda sonora: M83
Álbum: Before The Dawn Heals Us
Música: I guess i´m floating/ Teen Angst
O Medo #1

A noção de segredo ainda se torna mais estranha quando decidimos dar a cara através de um meio em que as feições são substituídas por palavras. Decidi deixar cair o véu que separa este blog de mim próprio. Mas logo se acende uma grande dúvida. O que dizer de relevante sem ser acompanhado por uma expressão facial? Talvez possa pôr entre comas uma descrição o mais exacta possível dos estados de espírito que me vão atravessando à medida que a palavra sai dolorosa de dentro de mim. Escrever sobre coisas pessoais e íntimas para uma plateia é complicado, mais dificil ainda que participar numa peça de teatro e encarnar um personagem qualquer. Ao escrever temos tempo de reflectir e de ponderar sobre que letras e paisagens queremos desenhar. E temos tempo mais do que suficiente para nos defendermos. É um dilema. Este blog deixou de ter medo, mas o seu autor ainda não.
terça-feira, outubro 02, 2007
Necessidades

A maior parte do mundo está presa às necessidades mais básicas. Quando se tem fome todo o comportamento é dirigido no sentido de se alimentar essa necessidade. Metade do mundo não tem motivação para perseguir objectivos mais elevados. E enquanto as coisas forem mantidas assim, o poder será dividido sempre pelos mesmos.
Imagem: Pirâmide de necessidades de Maslow
segunda-feira, outubro 01, 2007
Datarock -Bulldozer
Hoje ouvi esta música várias vezes...merece ser eternizada como as palavras que aqui jazem..
Sobre este Blog #2

Este blog esconde-se mais à medida que o tempo vai passando. Este blog protege-se à semelhança das vestes que os dedos que o tecem usam. Este blog não quer ser visto, é miope, apesar de não saber exactamente o que isso quer dizer. Este blog está em reestruturação porque sabe que este caminho é só sombra. Este blog precisa de não ter medo de revelar o artista e de esconder a arte. Este blog vai brevemente passar para o outro lado, aquele que tem vista privilegiada para quem o escreve. Este blog acabou de perder o medo.
Outubro

Oficialmente, Outubro aparece sempre como um auxiliar de mudança de página. E é assim que deve ser encarado, porque a partir de agora os dias equivalem-se às noites e a decomposição da terra prepara-se para mergulhar no seu âmago. Outubro é assim, o hall de entrada para Novembro, o mês em que as transformações são por demais evidentes.
Imagem: Salvador Dali (1904-1989)
quinta-feira, setembro 27, 2007
Contra factos...

Fico surpreendido pela quantidade de pessoas que opinam ser fundamentarem devidamente as suas opiniões. Falam com propriedade de coisas que ouvem em segunda mão e não se preocupam se estão a falar com base em factos ou em argumentos falaciosos. Contra factos não há argumentos, e as opiniões deviam destapar o véu da subjectividade com base, sempre que possivel, em factos. Quando isto não acontece entramos em terrenos pantanosos, o universo dos lideres de opinião que, por terem um lugar de destaque, levam as pessoas a confundir as suas opiniões com a verdade. É preciso ter cuidado com o que se diz, mesmo que seja o mais inocente possivel.
Imagem: René Magritte (1898-1967)







